CIDADES
Sábado, 28 de Agosto de 2010, 12h:25
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Serviços funcionam bem no Japão
Para o casal Eduardo e Meire Ide, que retornou do Japão em 2004, as maiores dificuldades de readaptação também estão relacionadas às questões culturais. Para quem viveu lá por 10 anos, disse Meire, foi muito difícil aceitar a desorganização e o descaso dos setores públicos, assim como a falta de respeito e consciência dos cidadãos. Meire disse que quanto mais tempo se fica no Japão, menos coragem se tem de voltar. Ela lembrou que os japoneses são muito organizados e conseguem fazer com que tudo se mantenha funcionando plenamente, incluindo transporte público, educação, saúde e segurança. O casal, que montou em Cuiabá uma empresa especializada no comércio de produtos orientais, explica que o amor pela família ou algum caso de doença grave são as principais motivações para o retorno. Quando não se suporta mais a saudade daqueles que ficaram no Brasil, as pessoas acabam voltando, completou. Meire Ide garantiu que valeu muito a pena ir para o Japão, entretanto, em que pese os problemas brasileiros, é aqui que pretende continuar vivendo. A empresária contou que se casou em Cuiabá e logo depois seguiu para o Japão com o marido, abandonando o curso de Economia na Universidade Federal de Mato Grosso (UFMT). Já a comerciária cuiabana L.A.P., 33 anos, contou que voltou por causa da separação dos pais e porque financeiramente não estaria mais compensando continuar. Após 12 anos no Japão, ela retornou para fazer companhia e ajudar financeiramente a mãe e uma irmã adolescente com o pouco que havia acumulado trabalhando em uma fábrica de componentes de aparelhos de TV e vídeo. Desde que veio, há três anos, não conseguiu nenhum emprego que se comparasse ao salário de operária japonesa. Para piorar, o dinheiro que trouxe acabou rapidamente. Há pouco mais de um ano e meio, L. decidiu retornar à faculdade. Ela está estudando Administração de Empresa em uma faculdade privada na expectativa de fazer um concurso público que ofereça estabilidade e melhor salário. Atualmente, informou, ganha menos de R$ 1 mil como vendedora trabalhando em média 10h por dia. (AA)