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CIDADES
Segunda-feira, 14 de Fevereiro de 2011, 20h:57

SUSPENSE

Sequestro no Modelo

Descontrolado, homem carrega mulher para mercado sob a mira de uma faca e exige mala com supostos R$ 50 mil

ADILSON ROSA
Da Reportagem
Por cerca de duas horas e meia, o operador de máquinas Valdeci Gomes da Silva, de 41 anos, fez uma mulher refém dentro do supermercado Modelo da avenida da Prainha, no Centro de Cuiabá. Armado com uma faca, ele ameaçava matar a mulher porque a mala com a bagagem dele, que viajara num ônibus da Eucatur, havia sumido com supostos R$ 50 mil dentro. Para ter o dinheiro de volta, ele sequestrou a encarregada de contas da Clínica Femina, Neliana Ferreira Pacheco, de 32 anos, que passava pelo local. O crime ocorreu por volta das 8 horas e somente por volta das 11 horas é que Valdeci se entregou. Ele abordou a vítima no ponto de ônibus em frente ao supermercado. Com uma faca no pescoço, a mulher foi levada para dentro do supermercado, que estava lotado de clientes. A gritaria foi geral e funcionários acionaram a Polícia Militar, que fechou a entrada e iniciou as negociações. “A princípio, acreditávamos que se tratava de um assalto com refém. Só depois descobrimos que um homem fazia uma mulher refém. E só depois descobrimos que não se tratava de marido ou ex-marido, esposa ou ex-esposa”, explicou um dos policiais que chegou para atender a ocorrência. Valdeci e Neliana nunca haviam se visto antes. Dentro do supermercado, ele trocou de faca. Foi até o açougue e pegou uma maior e se escondeu atrás do balcão da padaria. A partir daí, exigiu que a Eucatur trouxesse a mala com o dinheiro. O diretor da empresa, Valdeci José Alves, explicou que a mala estava guardada desde a última quarta-feira, quando o operador de máquinas pulou do ônibus em movimento. Ferido, foi levado ao Pronto-Socorro de Cuiabá, de onde saiu ontem de manhã. “Não tinha dinheiro na bagagem, mas apenas algumas roupas e pertences pessoais”, explicou o diretor. A Eucatur foi acionada assim que o operador de máquinas exigiu a bagagem. Um policial chegou a usar um uniforme da empresa, mas Valdeci queria mesmo a bagagem. Ao descobrir que não tinha dinheiro algum, exigiu a presença de uma equipe de TV para gravar sua “indignação com o sumiço de seu dinheiro que estava na bagagem e a empresa não informou seu destino”. As negociações foram comandadas pelo comandante do 1º Batalhão, tenente-coronel Walter da Silva, que conseguiu convencer o operador de máquinas a se entregar. Cerca de 40 policiais civis e militares trabalharam na operação. “Não usamos armas, ninguém ficou ferido. Trabalhamos com técnicas de negociação”, frisou. Levado para a Delegacia do Complexo do Planalto, o operador de máquinas foi autuado em flagrante por cárcere privado, exercício arbitrário das próprias razões e constrangimento ilegal. Os policiais não souberam informar se ele possui antecedente.

Edição EDIÇÃO 16967




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