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Sábado, 26 de Abril de 2008, 14h:27

SISMOS EM MT

Quatro registros de tremor são feitos este mês no Estado

ALECY ALVES
Da Reportagem
A terra tremeu em média quatro vezes ao dia este mês em Mato Grosso, na região de Porto dos Gaúchos e Tabaporã (dois municípios do médio-norte, a cerca de 650 quilômetros da Capital). Numa delas o abalo foi de 3,3 graus na escala Richter, no dia 9, e poderia ter causado danos se tivesse ocorrido em área habitada. Os dados estão registrados na Estação Sismográfica de Porto dos Gaúchos e foram acompanhados em tempo real pelo Observatório Sísmico da Universidade de Brasília (UnB). Desde o dia 3 deste mês, data em que o Observatório passou a receber as informações da estação mato-grossense via satélite, ou seja, em tempo real, até o dia 23, aconteceram 70 eventos sísmicos na região. Apenas no dia 13, por exemplo, foram 17 tremores. No mesmo dia em que um terremoto de 5,2 graus assustou a população em quatro estados - Rio de Janeiro, São Paulo, Paraná e Santa Catarina -, a estação de Porto dos Gaúchos contabilizou cinco tremores. Entretanto, o maior não passou de 1 grau na escala Richter, mas nenhum ocorreu simultaneamente ao dos estados do Sul e Sudeste. O professor chefe do Observatório da UnB, Lucas Vieira Barros, disse que o terremoto de 3,3 graus ocorreu a dois quilômetros da estação e deve ter sido sentido pelos moradores da região – fazendeiros e sitiantes. O interesse da UnB pelo estudo de tremores de terra no Estado se justifica na quantidade, freqüência e intensidade dos eventos registrados aqui desde 1955. No dia 31 de janeiro daquele ano, às 2h03, ao sul de Porto dos Gaúchos, perto da serra do Tombador, aconteceu o maior tremor de terras já sentido no Brasil, marcando 6,6 graus na escala Richter (que vai até 10). Entretanto, somente a partir de 1998 os eventos sísmicos passaram a ser estudados. Em janeiro de 2005, para lembrar o aniversário do maior terremoto brasileiro, a UnB instalou a primeira estação em Porto dos Gaúchos. Durante três anos, o Observatório fez a leitura local e recebeu os sinais de abalos via Correios, a cada 30 dias, até a instalação de equipamentos que agora permitem a leitura via satélite. No link do site da UnB, onde aborda a sismicidade brasileira, o professor Lucas Barros escreve que “a idéia propagada por muito tempo de um Brasil essencialmente estável, livre de terremotos, é errônea”. “A sismicidade brasileira é modesta se comparada a da região andina, mas é significativa porque aqui já ocorreram vários tremores com magnitude acima de 5 indicando que o risco sísmico em nosso país não pode ser simplesmente ignorado”, alerta. Dezenas de relatos históricos sobre abalos de terra sentidos em diferentes pontos do país e eventos como o do Ceará (em 1980, com 5,2 graus) e a atividade da cidade de João Câmara (RN) - em 1986, com 5,1 graus - mostram que os sismos podem trazer danos materiais, ocasionar transtornos à população e chegar, em alguns casos, a levar pânico incontrolável às pessoas, completa o professor. “Afortunadamente, tremores maiores como o de Mato Grosso (em 1955, com 6,6), no litoral do Espírito Santo (no mesmo ano, com 6,3) e no Amazonas (1983, com 5,5) ocorreram em áreas desabitadas”, diz. Barros destacou que os terremotos podem surgir a qualquer momento e em qualquer lugar. Assim, não é impossível que algum dia um sismo de conseqüências graves acabe por atingir uma cidade brasileira. A sismologia ainda não consegue predizer com sucesso os terremotos.

Edição EDIÇÃO 16967




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