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CIDADES
Sexta-feira, 18 de Dezembro de 2015, 20h:09

SEGURANÇA

Quadrilha praticaria 90% dos roubos

Os produtos roubados seriam revendidos no Shopping Popular, onde os membros do bando mantinham uma loja e uma oficina

YURI RAMIRES
Da Reportagem
Uma quadrilha supostamente responsável por 90% dos roubos de eletroeletrônicos em Cuiabá foi desarticulada ontem pela Polícia Civil, durante a operação “Mercatore”. Os produtos roubados seriam revendidos no Shopping Popular da cidade, onde os membros do bando mantinham uma loja e uma oficina. Somente no ano passado a organização teria movimentado cerca de R$ 1,7 milhão em 60 dias. De acordo com as informações da delegada Elaine Fernandes da Silva, da Delegacia Especializada de Roubos e Furtos (Derf), 11 mandados de prisão preventiva, 12 de conduções coercitivas e 34 de busca e apreensão foram expedidos pela Vara do Crime Organizado. As investigações começaram em 2014, após o registro de um arrastão em um restaurante na Avenida Carmindo de Campos. Entre os crimes cometidos pela quadrilha, a delegada destaca os que aconteceram em lojas de celulares dentro de um shopping da cidade. “90% dos roubos de eletroeletrônicos que aconteceram em comércios da cidade são de autoria da quadrilha. Isso vem ocorrendo há anos, mas o trabalho da Derf coloca um fim nisso”, disse Elaine. Até o final da manhã de ontem, 10 membros já estavam presos, entre eles João dos Santos Filho, apontado pelas investigações como o líder da quadrilha. Ele era chamado de “pai”, pelos demais membros do bando. Andréa Cristina Moura Figueiredo Santos e Felipe Figueiredo Santos, respectivamente esposa e filho de João, também estão presos. Bem como Florival Dantas Neto, Fábio José Prado Gomes, Odair Coelho Vaz, Ronildo da Mata Nascimento, Marcel Abe e Augusto Amorim. Alguns dos presos seriam “figurinhas carimbadas” da polícia. A delegada contou, inclusive, que João já é condenado pela Vara do Crime Organizado a quatro anos de prisão, e cumpre a medida em regime semiaberto. Sem explicar as funções da cada um, a delegada contou que entre os presos estão funcionários públicos, advogado, bancária e até mesmo um policial civil lotado na 2º DP. “O Shopping Popular era a base da quadrilha. Eles usavam as lojas para movimentar o dinheiro e escondiam a verdadeira natureza. Ali não funcionava apenas o box. Eles são empresários do crime. Quem movimenta R$ 1,7 milhão em dois meses não é vendedor de muamba”, disse a delegada. Na oficina, os criminosos deixavam prontos selos, que eram colados nos produtos roubados para descaracterizar e dar uma nova identidade. No local, foram encontrados 80 selos e notebooks e celulares prontos para serem alterados. As salas da Derf estavam tomadas com a quantidade de produtos apreendidos. Ainda não há informações de quantos foram, nem do valor que a mercadoria apresenta. Há de tudo. Computadores, celulares, impressoras, monitores, relógios, capas de celulares, capacetes de motocicletas, roteadores de internet e outros. As investigações não param por agora, já que segundo Elaine a quadrilha contaria com ramificações em vários setores da sociedade. Os presos podem responder por lavagem de dinheiro advindo de práticas criminosas, especialmente roubos e furtos, receptação qualificada de cargas de eletroeletrônicos, estelionato, corrupção de agentes públicos e associação criminosa. O nome da operação, “Mercatore”, vem do italiano e significa comerciante, mercancia, aquele que age como intercessor, traficante.

Edição EDIÇÃO 16967




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