Os professores sentem sérias dificuldades em esclarecer aos estudantes práticas contrárias a homofobia na escola. Além de constatada pela pesquisa Escola sem homofobia (faltam métodos e preparação para lidar com o assunto em sala de aula), o fato é testemunhado pela professora de sociologia Noilves Klem Ramos. Em uma escola estadual de Cuiabá, ela tem tentado quebrar as barreiras entre os alunos para falar de orientação sexual com eles de modo a eliminar preconceitos. Para ela, os machões aqueles estudantes que geralmente mobilizam a turma em torno de opiniões com alto teor de homofobia sustentam discursos que muitas vezes não passam de aparências. Uma vez que raramente o esclarecimento vem de casa, isso só torna mais difícil a conversa com a turma como um todo. Na escola em que trabalha, com cerca de mil alunos, Noilves encara um mosaico de comportamentos, com grupos de estudantes declaradamente homofóbicos, outros que o fazem à luz de sua própria fé, os tolerantes e aqueles que inclusive tentam manter relacionamentos com outros estudantes do colégio. Neste ambiente, Noilves conta que a maior ocorrência de homossexuais e dos grupos homofóbicos é no período da noite. Embora não tenha presenciado episódios de agressões físicas, ela explica que ocorre a violência simbólica, que não se materializa, mas é sentida. Por isso, ela persiste em fazer com que os estudantes se coloquem no lugar dos homossexuais e entendam que, independente do que influencia a orientação sexual (genética ou criação), essas pessoas sofrem e têm direitos como todos os demais. (RD)