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CIDADES
Quinta-feira, 05 de Março de 2009, 20h:31

PIRACEMA

Ponte é bloqueada em manifestação

Clarice Navarro Diório
Da sucursal de Cáceres
Cerca de 200 pessoas bloquearam uma ponte em Cáceres na manhã de ontem em protesto contra a prorrogação do período da Piracema, estendida até o final de março por força de uma decisão judicial. Manifestantes, liderados por empresários do trade turístico, fecharam a ponte Marechal Rondon às 8h30, causando congestionamento de veículos ao longo das rodovias federais 070, que liga Cáceres a Cuiabá, e a 174, que liga Mato Grosso a Rondônia. A Polícia Rodoviária Federal controlou o tráfego. A ponte foi liberada ao meio dia, com os manifestantes seguindo em carreata até a frente do prédio da Justiça Federal, que expediu a decisão de prorrogação, onde permaneceram por cerca de 30 minutos. A determinação atendeu pedido feito pelo Ministério Público Federal, que se baseia em estudos que apontam a probabilidade de não ter sido concluído nos rios da região o período de reprodução dos peixes. No calendário oficial, a Piracema seria encerrada no dia 28 de fevereiro. A medida alcança o rio Paraguai e seus afluentes. O protesto foi realizado por empresários do setor de turismo, pescadores amadores e profissionais, sob a organização da Associação Turística e Ambientalista de Cáceres (Asatec), com o objetivo de chamar a atenção de todo o país para os prejuízos e reflexos negativos da decisão na economia local. O presidente da Asatec, Cairo Bernardino, disse que além de prejuízos, a medida criou um enorme problema social para Cáceres. “A Colônia de Pescadores Z-2 tem mais de 500 pescadores profissionais cadastrados que esperavam o final da Piracema para voltar ao trabalho. Eles não terão seguro-desemprego este mês. É um problema social grave”. Na tentativa de reverter o quadro, a Asatec, a prefeitura de Cáceres e a empresa de turismo CR entraram com mandados de segurança junto ao Tribunal Regional Federal, em Brasília. O reflexo econômico negativo da medida continua acontecendo, com turistas desmarcando pacotes de turismo junto a empresas do município. Amantes da pesca de todas as partes do país e centenas de estrangeiros vão a Cáceres todos os anos. “Tememos que seja um dano quase irreversível ao turismo local, que é um braço-forte da economia que deverá demorar anos para absorver as conseqüências dessa medida”. Documento apresentado pela Secretaria Estadual de Meio Ambiente assegura que o ciclo de reprodução dos peixes na região foi concluído.

Edição EDIÇÃO 16967




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