Operação aconteceu durante a semana, quando 15 pessoas foram conduzias a delegacias por venderem produto nocivo à saúde na Grande Cuiabá
CAROLINA HOLLAND
Da Reportagem
A Polícia Civil apreendeu quase 1,5 mil óculos de grau vendidos irregularmente em camelôs de Cuiabá e Várzea Grande esta semana. Quinze pessoas foram detidas, entre elas um menor de idade. A operação foi realizada durante três dias pela Delegacia Especializada de Defesa do Consumidor e contou com o apoio da Vigilância Sanitária de Várzea Grande. A denúncia partiu do Conselho Regional de Óptica e Optometria, que alegou concorrência desleal, pirataria e perigo à saúde pública com a venda dos produtos nos camelôs. Na Capital, a fiscalização foi no Shopping Popular, na rua Barão de Melgaço, na rua 13 de junho e em bancas da avenida Fernando Corrêa. Em Várzea Grande, a operação foi realizada no centro da cidade. No total, a Polícia Civil apreendeu 1.483 óculos. A operação envolveu oito investigadores. Na delegacia, os comerciantes defenderam-se dizendo que as pessoas não têm dinheiro para adquirir produtos de qualidade e fazer consultas com médicos e que por isso procuram óculos mais baratos nos camelôs. Eles dizem que são trabalhadores comuns e que vendem pra quem não têm condições financeiras de ir ao médico, disse o investigador Milton Pescara. A compra de óculos sem receita médica e sem saber a procedência do produto pode trazer sérios danos à saúde, alerta o médico oftalmologista Rui Sério Durante. Um dos perigos é em relação ao grau, que normalmente varia de um olho para outro, explica. Nos óculos apreendidos, as lentes geralmente têm o mesmo grau. Rui Durante cita ainda a procedência duvidosa do material dos óculos que não são vendidos em óticas credenciadas. Os produtos precisam passar pelo aval da Agência Nacional de Vigilância Sanitária, o que não ocorre com os óculos vendidos em camelôs. A proteção para os olhos também deve ser levada em consideração pelos consumidores. Mesmo com lente transparente, os óculos precisam oferecer proteção ultravioleta. As pessoas têm que ficar atentas a isso. O médico alerta que é essencial fazer consulta com um oftalmologista. Esse profissional não vai apenas ver se a pessoa precisa ou não de óculos, e sim fazer um diagnóstico amplo da anatomia do olho. Às vezes o paciente tem uma doença e não sabe, afirma. A polícia afirma que as operações serão feitas de forma contínua. As 15 pessoas detidas na operação vão responder em liberdade pelo crime de venda de produtos nocivos à saúde, com pena que varia de um a três anos de prisão e multa.