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CIDADES
Segunda-feira, 16 de Abril de 2007, 21h:01

TRAGÉDIA

Pistola ao alcance

Menino de 10 anos morre ao ter acesso a uma arma dentro da casa de um oficial da Polícia Militar, no Parque Cuiabá

ALECY ALVES
Da Reportagem
O estudante Marcos Yuri Prado de Oliveira Guirado, de 10 anos, morreu ontem à tarde com um tiro de pistola na cabeça, supostamente manuseada por ele. O palco da tragédia foi uma casa no Parque Cuiabá, onde mora o tenente-coronel da Polícia Militar, Reinaldo Magalhães de Moraes, assessor direto do secretário de Justiça e Segurança Pública do Estado, Carlos Brito. De acordo com as primeiras informações policiais, Marcos Yuri assistia ao filme “Todo Mundo em Pânico 4” junto com o filho do tenente-coronel, Reinaldo, de 10 anos, e outro colega do bairro. Num determinado momento, Yuri teria ido até um dos quartos da casa do amigo, onde teve acesso a uma pistola calibre 0.40, de propriedade do oficial PM. A arma tinha apenas um projétil e estava guardada no meio de roupas na gaveta de um armário. Márcio Pieroni, titular da Delegacia de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP), esteve no local, mas não quis comentar o episódio. Pieroni se limitou a dizer que a impressão que se tem, baseada na posição em que o corpo se encontrava e na localização da arma, é que Marcos Yuri estava manuseando a pistola quando ocorreu o disparo. Entretanto, antes de fazer conclusões, ponderou Pieroni, prefere esperar pelo laudo da Polícia Técnica. O coronel Osmar Farias, comandante do 1º Batalhão da Polícia Militar, que acompanhou o caso, também acha que Marcos Yuri acidentou-se sozinho com a arma. “Talvez, levado pela curiosidade, o garoto mexeu com a arma”, observou Farias, o único membro da Polícia Militar que aceitou conversar com os jornalistas. O comerciário Marcos Oliveira, pai de Marcos Yuri, esteve na casa do oficial PM para fazer o conhecimento do corpo do filho. Chorando muito e revoltado com o episódio, Marcos contestou a versão de acidente dizendo: “o que vocês vão investigar, mataram meu filho; que acidente que nada”. A irmã do garoto, Daiara Guirado, que havia chegado minutos antes, identificou o corpo do irmão e deixou o local amparada por policiais da DHPP. A mãe de Yuri, a repórter-fotográfica Nilce Guirado, precisou ser medicada e não apresentou condições emocionais para ir até a casa onde o filho estava morto. De acordo com fontes policiais, o tenente-coronel Reinaldo Moraes e o filho estiveram na delegacia de Homicídios. Porém, não tiveram condições de prestar depoimento. Pieroni, então, decidiu adiar para a manhã de hoje os testemunhos de pai e filho.

Edição EDIÇÃO 16967




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