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CIDADES
Sexta-feira, 18 de Dezembro de 2009, 00h:17

SALDO EM MT

PF faz 460 prisões em operações de 2009

Maioria das ações se concentrou na repressão ao tráfico de drogas. Assim, número de servidores envolvidos em fraude alvos de detenção reduziu

KEITY ROMA
Da Reportagem
Entre ações sucessivas de repressão ao tráfico de drogas e momentos de descrédito por desabono do Judiciário a investigações, em forma ou conteúdo, a Polícia Federal prendeu este ano 460 pessoas em 20 operações realizadas em Mato Grosso. O número contabiliza 90 prisões a mais que em 2008, ou seja, um aumento de 24%. Enquanto a quantidade de traficantes aumentou na lista em que figuram presos ou procurados, o de servidores públicos caiu em relação ao ano passado. Nas ações federais, 16 funcionários públicos foram presos este ano. O mais notável deles, o então procurador-geral do município, José Antônio Rosa. Em novembro ele foi detido com um grupo de empreiteiros da Capital, acusado de envolvimento em fraudes nas licitações para as obras do PAC. Outra figura conhecida que em 2009 passou pelas dependências da Polícia Federal respondendo a acusações foi o coronel Adaildon Costa, que já ocupou o posto de comandante-geral da Polícia Militar no Estado. Junto com outros nove militares, Adaildon constou entre os nomes que formariam uma suposta quadrilha de grilagens milionárias de terras, desarticulada na Operação Pluma, em julho. Ao contrário de operações polêmicas, como a Sanguessuga, que prendeu no ano de 2006 políticos de expressão nacional, em 2009, a corporação limitou o alcance das algemas a detentores de funções menos expressivas no poder público mato-grossense. Alguns dos presos foram servidores da Previdência Privada, por fraudar a concessão de benefícios, delitos descobertos nas operações Bengala e Publicanos. No ano passado, 55 funcionários públicos endossaram a lista dos presos da PF. “Isso aconteceu porque em 2008 prendemos os servidores do Incra duas vezes ao longo do ano(uma delas na Dupla Face e outra quando a cúpula do órgão foi detida). Também realizamos a prisão de diversos policiais rodoviários federais na Operação Têmis”, frisou o superintendente da Polícia Federal, Oslain Santana. Ações isoladas a parte, os acusados que concentraram o foco da corporação nos últimos meses foram os ligados a crimes ambientais, com 160 detenções em flagrante na Arco de Fogo, e ao tráfico de drogas da Bolívia. Em 10 operações, comandadas pelo Estado e por outras unidades, foram emitidos mais de 200 mandados de prisão contra pessoas que integrariam quadrilhas de tráfico internacional. Na Maranello, uma das mais polêmicas, deflagrada em setembro, empresários da Capital foram acusados de liderar um esquema. CRÍTICAS – Por duas vezes inquéritos da Polícia Federal foram alvo de descrédito do Tribunal Regional Federal (TRF) em 2009. Uma delas na Pacenas, quando o desembargador Tourinho Neto desqualificou as interceptações telefônicas e impediu que as principais provas dos crimes embasassem o processo judicial. “O que aconteceu foi como quando você tem uma ratoeira e prende um rato. Questionam onde você comprou a ratoeira e esquecem do rato”, lamenta o superintendente. Outro embate foi o cancelamento por Tourinho dos principais indiciamentos da Operação Terra Fria, em que Lionídio Benedito das Chagas era acusado de promover crimes com base na grilagem de terras na Amazônia. O magistrado alegou falta de informações no inquérito e o não-cumprimento de procedimentos fundamentais pelos delegados. “O que confirma a qualidade das provas é a determinação das prisões em primeira instância, e não os recursos da segunda”, contestou.

Edição EDIÇÃO 16962




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