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CIDADES
Sexta-feira, 20 de Abril de 2012, 21h:45

COMPORTAMENTO

Os limites da vaidade

Na vida pública ou na esfera privada, certo tipo de narcisista acaba destruindo relações e prejudicando a si mesmo

ALECY ALVES
Da Reportagem
A demissão de Eder Moraes do cargo de secretário extraordinário da Secopa, órgão que está à frente das obras e preparação para a Copa de 2014, trouxe à tona uma discussão sobre os danos da vaidade nas relações de trabalho e poder. Criticado severamente por ex-auxiliares e políticos do Estado, Eder Moraes foi retratado nesta semana como uma pessoa de ego acima da média, o que pode ter contribuído para sua queda. O presidente do Legislativo, deputado José Riva (PSD), por exemplo, avalia que a atuação de Eder na Secopa teve erros e acertos. E, conforme o parlamentar, seu “exibicionismo fora de série” o derrubou do cargo. Para Riva, “qualquer secretário tem que falar menos e aparecer menos, deixando que algumas decisões sejam divulgadas pelo governador do Estado”. O deputado Romoaldo Júnior (PMDB), líder do governo na Assembleia, também avalia que a saída de Eder Moraes foi motivada pela sua vontade excessiva de aparecer à frente das ações do Estado. “É um técnico competente, mas quando fala vira o pior inimigo dele mesmo. Foi um processo de autodestruição movido pela vaidade em excesso”, sentencia Romoaldo. O ex-assessor-especial da Secretaria Extraordinária da Copa do Mundo de 2014 (Secopa), Yuri Bastos Jorge, que pediu demissão por se sentir subutilizado na Secopa, vê o ex-chefe como um autoritário que “massacrava as pessoas para mostrar seu poder”. Segundo ele, no órgão havia muitas pessoas com experiência em gestão pública, conhecimento que Eder não quis aproveitar. A fim de se aprofundar no tema e sem o objetivo de traçar um perfil do ex-secretário, o Diário decidiu pesquisar exemplos relacionados à vaidade em cargos de liderança na gestão pública e ouvir uma especialista em relações no ambiente de trabalho. Psicóloga por formação e especialista em Gestão de Pessoas, a professora do curso de Administração da Fundação Getúlio Vargas (FGV), Ana Cristina Galo, diz que a pessoa vaidosa pode ser nociva ao grupo e, de maneira geral, ao ambiente de trabalho. No universo organizacional, explica, aquele que é excessivamente vaidoso é diagnosticado como portador de ND (Narcisismo Destrutivo). Um líder com esse perfil se vê como bom sozinho e, desconsiderando o que fazem seus auxiliares, acha que ninguém contribui para o sucesso de um projeto. Ana Cristina alerta que não conhece Eder Moraes e, portanto, não está traçando o perfil dele. Mas ela reforça que o narcisismo é uma patologia classificada como desvio de conduta. “Lidar com alguém assim é mais difícil porque geralmente essa pessoa não se reconhece como portador de algum problema”, completa. É por isso, continua Ana Cristina, que o narcisismo causa prejuízos à equipe e ao resultado de algo que está sendo proposto e deveria ser executado em grupo. Conforme a especialista, o problema é bem mais comum do que se pode imaginar e está diretamente relacionado à questão de poder.

Edição EDIÇÃO 16966




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