CIDADES
Sexta-feira, 27 de Agosto de 2010, 19h:32
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DEPORTAÇÃO
Operador turístico de MT
Dagnaldo Gomes, preso no Egito sob acusação de proselitismo religioso, ajuda grupos do Estado durante viagens ao local
A deportação do operador de turismo Dagnaldo Pinheiro Gomes, 36, do Cairo (Egito) para São Paulo nesta quinta-feira gerou repercussão em Cuiabá. O maranhense acusado pelas autoridades egípcias de proselitismo religioso tem sido a principal referência e guia dos grupos de evangélicos mato-grossenses em viagens a pontos turísticos do Oriente Médio, especialmente para membros da Igreja Batista da Paz. Dagnaldo estava acompanhando duas amigas evangélicas de Uberlândia (MG) numa visita informal ao complexo de pirâmides quando foi barrado pelas autoridades controladoras do local. No Egito, é proibida a atuação de estrangeiros como guias turísticos, motivo pelo qual Dagnaldo foi barrado. Seu carro também foi revistado e as autoridades encontraram folhetos de mensagens cristãs em idioma árabe, e ele foi detido. O maranhense morava há sete anos no Cairo e trabalhava como operador turístico, não guia propriamente dito, como explica o pastor da Igreja Batista da Paz do Verdão, Jairo Ishikawa. Ou seja, o trabalho de Dagnaldo era promover a logística dos turistas mato-grossenses em visita desde o aeroporto pela empresa Orientur, função para a qual ele detém uma autorização do governo daquele país. Cerca de 70 mato-grossenses já viajaram com Dagnaldo pelo Egito, passando pela península do Sinai, Israel, Jordânia e Roma em 2009 e este ano. Conhecemos o Dagnaldo há quatro anos por conta de um pastor daqui que viajou com ele. Desde então ele passou a vir aqui a Cuiabá algumas vezes, participando de alguns encontros. Todo mundo conhece ele aqui, é uma pessoa importante para a igreja. O pastor conversou com Dagnaldo por telefone na manhã de ontem e ele explicou que foi surpreendido pelas autoridades, pois não realizava trabalho de guia no momento. Ele acredita que o fato de ser brasileiro pesou para que as autoridades o detivessem, uma vez que não é crime algum carregar material de divulgação cristã no Egito, um país de população majoritariamente muçulmana. Depois disso, foram sete dias mudando de prisão, temendo a possibilidade de ser torturado (algo recorrente lá), comendo e bebendo água apenas uma vez por dia (no período do Ramadã, os muçulmanos entram em jejum e só comem após o pôr do sol). Enquanto isso, a falta de informações provocava desespero em familiares e amigos no Brasil, o que motivou todos inclusive os amigos da igreja em Cuiabá a pressionar a embaixada brasileira. Contando também com a divulgação do caso na mídia internacional, as autoridades egípcias passaram a prestar informações e finalmente deportaram o brasileiro, que agora responderá a um processo judicial no país e corre o risco de não poder mais voltar. Por enquanto, ele está em São Paulo, mas deve se encontrar com a noiva no Maranhão. Dagnaldo já estava se programando para mais uma viagem com turistas mato-grossenses em maio do ano que vem o que já se tornou uma programação incerta. Quem conhece Dagnaldo, lamenta a situação, como Maria Helena Farias, que viajou no grupo do ano passado. Para ir de novo, só se fosse com ele. É uma pessoa maravilhosa, tem um conhecimento fora do comum sobre o Egito e ama aquele lugar.