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CIDADES
Sexta-feira, 17 de Maio de 2013, 21h:05

SAÚDE PÚBLICA

O drama dos doentes renais em VG

Após a prefeitura cortar convênio que lhes garantia transporte para a hemodiálise, os pacientes agora chegam a perder as sessões

GUSTAVO NASCIMENTO
Da Reportagem
Aproximadamente 40 pacientes com problemas renais, de Várzea Grande, que necessitam realizar hemodiálise pelo menos três vezes por semana, não estão seguindo com o tratamento por descaso e falhas do transporte público do município. De acordo com a presidente da Associação de Pacientes Renais e Transplantados de Mato Grosso, Luzia de Pinho Canavarro, cinco hospitais realizam hemodiálise na região metropolitana de Cuiabá. Ela afirmou que desde que a prefeitura de Várzea Grande dispensou a empresa terceirizada - responsável pelo transporte dos pacientes - e passou a realizar o serviço, os pacientes vêm sofrendo cada vez mais. “O problema é que a Secretaria de Saúde não tem carros que atendam a demanda. Os veículos quebram constantemente e os pacientes são obrigados a se virar como podem para conseguir realizar o tratamento.” Canavarro assegura que nas atuais condições uma tragédia se anuncia no município. “Eles estão ferindo o direito à dignidade humana. Não é de um remédio para a dor de cabeça que estamos falando. Sem tratamento adequado, os pacientes podem passar mal e até morrer”, afirmou. A técnica de enfermagem Rosenice Santiago da Silva, que é filha da aposentada Maria Alves da Silva, de 60 anos, conta que a mãe realiza o tratamento há cinco anos e que os pacientes que faltam às seções podem sentir falta de ar, reter muito líquido e, em casos mais graves, desenvolver males como edema no pulmão. “Há duas semanas a van quebrou e tivemos que pegar uma carona para ir para o hospital. Após as seções ela sai muito fraca, e foi necessária nova carona, para irmos pra casa. O transporte é apenas o nosso direito e isso não tem sido feito”. Para o paciente aposentado, de 60 anos, que não quis ter o nome divulgado, a situação não está apenas precária. Os pacientes também vêm sendo constantemente “humilhados”. “Ontem, por exemplo, a van quebrou, de novo. Liguei para o encarregado da Secretaria de Saúde e ele me falou que não tinha combustível e que não iria nos buscar. Só estávamos ligando porque não temos condições. Muitos pacientes são deficientes físicos, idosos ou simplesmente ficam debilitados demais por conta do tratamento”. Outra paciente, de 36 anos, afirma que nas últimas semanas chegou a perder três seções de hemodiálise e que o fato lhe traz diversas complicações. “Eu fico sem poder andar quando não hemodialiso. Além disso sofro de depressão e tomo remédios controlados. A falta do tratamento não é uma opção. Eles acham que estão brincando, mas sem a hemodiálise eu posso morrer”. O secretário de saúde de Várzea Grande foi procurado pela equipe do Diário, porém não foi encontrado.

Edição EDIÇÃO 16962




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