CIDADES
Terça-feira, 18 de Agosto de 2009, 21h:17
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DESERTIFICADOS EM VG
No 7 de Maio, água só com carro-pipa
ALECY ALVES
Da Reportagem
Moradores do Residencial 7 de Maio, em Várzea Grande, estão se sentindo esquecidos num deserto, sem água até para fazer remédio. A única diferença dos locais desertificados é que lá pelo menos quem tem dinheiro consegue ser abastecido por caminhões-pipa. Já as famílias mais numerosas e de menor poder aquisitivo precisam caminhar cerca de três quilômetros carregando baldes na cabeça ou empurrando carrinhos com galões de água. É o que acontece na casa de dona Benedita Gregório da Silva. Vizinha do poço artesiano e do reservatório público municipal há quase 15 anos, dona Benedita disse que às vezes fica sem água para cozinhar. Nunca tivemos água com abundância em casa, reclama. A moradora não poderia dizer o mesmo sobre a fatura, que nunca deixou de ser entregue um único mês. Mês passado, por exemplo, a prefeitura lhe enviou uma cobrança de R$ 40 pelo produto que, segundo ela, passa semanas sem pingar nas torneiras. Ontem pela manhã, Benedita retirou água de um poço coletivo da localidade de Capão do Pequi, uma região de chácara que fica a uns três quilômetros da casa dela. Francisco Paulino da Silva, que mora no bairro desde a fundação, há cerca de 18 anos, informa que nos primeiros anos a situação era melhor. A água extraída do poço, diz, era suficiente para abastecer as residências. Atualmente, reclama Silva, a água que abastece sua família chega em carros-pipa, a preços que podem varia de R$ 80 a R$ 120, dependendo da empresa que os atende. A filha de Silva, Daiane Suzi, de 11 anos, sonha em tomar banho de chuveiro. A escassez de água na residência impôs o hábito do banho de canequinha. Apenas quem pode compra bombas de sucção e pagar por um consumo maior de energia tem mais conforto. Edileusa Flávia de Sousa conta que na casa que ela mora há uma bomba para puxar e levar água aos reservatórios superiores. Edileusa dispõe, mas não pode usufruir integralmente do benefício. Ela diz que quando a bomba fica ligada, o consumo de energia triplica. Pago em média R$ 80, mas se uso muito a bomba dágua, o valor salta para R$ 150, explica. Dono de um pequeno supermercado no bairro, Elvison Machado reclama da quantidade e qualidade da água. É muito saloba (sic), não serve nem para fazer comida, destaca. Machado acha que para quem tem comércio como ele não há alternativa se não a instalação de bomba. O presidente do Departamento de Água e Esgoto de Várzea Grande (DAE), Jeverson Missias de Oliveira, classifica como crônico o problema de abastecimento de água do 7 de Maio. Conforme Missias, o poço não está funcionando esta semana por causa de defeitos na bomba de captação e distribuição. Missias diz que nos últimos 15 dias a bomba queimou três vezes e que, no momento, não há equipamento-reserva para reposição. O presidente do DAE não apresentou solução para curto prazo. Ele se limita a dizer que estão previstas mudanças na rede de água para que o bairro possa ser abastecido pelos reservatórios que devem ser construídos no bairro São Mateus com recursos do PAC (Plano de Aceleração do Crescimento). A previsão é que o novo sistema entrará em funcionamento no segundo semestre de 2010. Isso, antes das denúncias de superfaturamento, prisões e cancelamentos de licitações.