CIDADES
Quarta-feira, 04 de Setembro de 2013, 20h:49
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SAÚDE
Na contramão do país
Mato Grosso está entre os cinco estados que mais abriram leitos no Sistema Único de Saúde nos últimos 3 anos, conforme o CFM
GUSTAVO NASCIMENTO
Da Reportagem
Na contramão de uma tendência que se vê no resto do Brasil, Mato Grosso registrou aumento de leitos no Sistema Único de Saúde (SUS) nos últimos três anos. Conforme o Conselho Federal de Medicina (CFM), apenas nove estados da federação tiveram crescimento. Em todo território nacional, aproximadamente 13 mil leitos foram desativados no período. Em Mato Grosso, 146 foram criados. Segundo o levantamento do CFM, Mato Grosso foi o quinto estado em crescimento de leitos, perdendo apenas para Rondônia, que teve 629 a mais nos últimos três anos, Rio Grande do Sul (351), Espírito Santo (239) e Santa Catarina (205). De acordo com o Cadastro Nacional de Estabelecimentos de Saúde (CNES), do Ministério da Saúde, em janeiro de 2010 o SUS contava com 361 mil leitos, enquanto em julho deste ano baixou para 348,3 mil. As especialidades mais atingidas com o corte foram a psiquiatria, que perdeu 7,4 mil leitos, pediatria (5,9 mil) e obstetrícia (3,4 mil). Conforme Elza Queiroz, presidente do Sindicato dos Médicos de Mato Grosso (Sindmed), que Mato Grosso tenha ganhado 146 novos leitos não é fato a se comemorar. Ela afirma que em 2010, data do início do levantamento do CFM, a entidade havia criado um dossiê que mostrava que o estado precisaria de pelo menos 2 mil leitos. O dossiê havia sido apresentado na Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) que investigava os repasses do governo do Estado para Prefeitura de Cuiabá e os investimentos da prefeitura no setor. O lema do dossiê era: Ajoelhamos para atender o paciente no chão, mas não aceitamos esta situação. Porém pouco mudou. Se há três anos precisávamos de 2 mil leitos no SUS, este aumento não supre nem de longe a demanda. De acordo com o vice-presidente do Conselho Regional de Medicina de Mato Grosso (CRM-MT), Arlan Azevedo, o aumento no serviço é ínfimo frente ao crescimento da população no período. É claro que todo leito a mais é bem vindo, mas temos que olhar também a qualidade deste serviço. Arlan diz que se forem levadas em contas as especialidades, os dados se tornam mais pedregosos. Não houve aumento de leitos para maternidade, por exemplo, em Cuiabá. Em Várzea Grande não há uma maternidade pelo SUS, os partos são feitos apenas de maneira emergencial no Pronto-Socorro do município. Dos 146 leitos aumentados na rede mato-grossense, 70 são referentes a inauguração do Hospital Metropolitano de Várzea Grande, e os outros de serviços do SUS contratados dentro da rede privada. O presidente do CFM, Roberto Luiz dÁvila, afirmou em nota que os dados revelam, de forma contraditória, o favorecimento da esfera privada em detrimento da pública na prestação da assistência à saúde.