CIDADES
Quarta-feira, 14 de Março de 2012, 22h:55
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CUIABÁ
Mulher barrada no pronto-socorro morre em calçada
ALECY ALVES
Da Reportagem
Depois de percorrer quatro unidades de saúde sem receber atendimento de emergência, a dona de casa Jocilene de Carvalho Pereira, 43 anos, morreu de infarto sobre a calçada da Avenida Miguel Sutil (Perimetral), enquanto o sobrinho tentava reanimá-la com massagens. Essa tragédia, conseqüência da burocracia e precariedade do sistema público de saúde, aconteceu em Cuiabá, no início da tarde de segunda-feira, dia 12. O pai de Jocilene, Nilton de Carvalho, 69 anos, conta que a filha chegou à casa dele pela manhã, reclamando de formigamento no braço esquerdo e dores no peito e abdôme. Ela disse ao pai que já havia procurado o centro de saúde do bairro Cidade Alta, onde mora, e a policlínica do Verdão. Sobre a primeira unidade, lembra seu Nilton, a filha relatou que não havia médico. Já na policlínica, diz, teria ouvido que poderia ser uma intoxicação alimentar. A mãe de Jocilene, Neide da Costa Carvalho, a orientou a procurar o pronto-socorro imediatamente. Barrada no portão no PSMC porque estava em um veículo particular e não em viatura de resgate como Samu, Bombeiros, polícia ou mesmo ambulância, Jocilene foi levada para a Policlínica do Planalto, onde também não teria médico, segundo os parentes dela. Quando retornava para a casa dos pais, que fica no bairro Verdão, na Avenida Perimetral, próximo ao trevo de acesso ao bairro, ela teve um ataque cardíaco. Um sobrinho que a acompanhava a retirou do carro e começou a massageá-la, enquanto o Serviço Móvel de Urgência Médica (Samu) era acionado. Dessa vez, no carro de resgate, Jocilene deu entrada no Pronto Socorro, porém já era tarde demais. Nada pôde ser feito porque a dona de casa já estava morta. A família desconhecia o sistema de atendimento do PSM, implantado há mais de ano, que bloqueia o acesso de veículos particulares com pessoas doentes. Inconformada, Neide Carvalho custa a acreditar que a filha morreu assim, a míngua, na rua, lamenta a mãe, observando que jamais passou pela cabeça dela que perderia uma filha assim. Nilton lembra que a filha era saudável, jamais apresentara sintomas que pudesse indicar a presença de algum problema cardíaco. Jocilene morreu sem conhecer a primeira neta, filha de Paloma Carvalho, sua filha do meio, que nasceu nesta terça-feira, poucas horas depois do enterro da avó. A família deve registrar um boletim de ocorrência ainda hoje na polícia, enquanto analisa a possibilidade de acionar judicialmente o Município. Na policlínica do Verdão não há registro de entrada da paciente. A coordenadora da unidade, Camila Louzada, disse que o nome de Jocilene não aparece no livro do ambulatório e tampouco em prontuário da ala de Pronto Atendimento (PA). Na Policlínica do Planalto, Jocilene chegou a fazer a ficha, mas quando foi chamada para passar pelo sistema de classificação de risco, ou seja, verificar se o caso era uma emergência ou ambulatorial, não estava mais na unidade, conforme a assessoria de imprensa da SMS. Hoje a Secretaria deve continuar apurando o que aconteceu nessa busca seqüenciada por atendimento, conforme a assessoria.