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Cuiabá MT, Sexta-feira, 19 de Junho de 2026

CIDADES
Segunda-feira, 06 de Dezembro de 2010, 20h:34

REFORMA AGRÁRIA

MST acampa de novo na sede do Incra

ALECY ALVES
Da Reportagem
Um novo acampamento do Movimento Sem-terra (MST) acaba de se formar na porta do Incra, no Centro Político Administrativo, em Cuiabá. No domingo, dezenas de famílias sem-terra que vivem em acampamentos e assentamentos sem infraestrutura nas regiões de Sinop, Tangará da Serra e Baixada Cuiabana se instalaram no local com a disposição de permanecer por quanto tempo for necessário até que suas reivindicações sejam atendidas. Até passar Natal e Ano Novo. Maria Damasceno, 50 anos, do assentamento Maria Benvinda, de Rosário Oeste (130 Km de Cuiabá), disse que onde ela e outras dezenas de famílias estão vivendo não tem água tratada, estradas, escolas, unidades saúdes e outros serviços essenciais. Conforme a sem-terra, os únicos assentados que dispõem de água são aqueles que receberam terras perto do rio Cuiabá. Os demais precisam caminhar mais de três quilômetros empurrando carrinho de mão ou pedalar para apanhar água. O prometido poço que seria perfurado para abastecer o assentamento não saiu do papel. Conforme Maria Damasceno, até as cestas básicas de alimentos que deveriam chegar mensalmente demoram muito, às vezes são entregues com meses de atraso. Azenildo Martins dos Santos, “Neguinho”, um dos líderes de acampamento no município de Nova Olímpia, é um dos trabalhadores que há quase uma década esperam pela terra para instalar moradia e começar a produzir. Há quase 10 anos no movimento, Neguinho já passou pelo assentamento Antônio Conselheiro, pelo pré-assentamento do Oziel Pereira, mas continua sem-terra. A morosidade é tão grande na execução da reforma agrária que muitos trabalhadores morrerem sem realizar o sonho de se instalar no campo, como disse José da Silva. Cozinheiro “oficial” nesse movimento de protesto, Silva é um dos que há anos esperam pela reforma agrária. Integrante da coordenação estadual do MST, José Vieira, “Zezão”, disse que o que estão cobrando agora não é nenhuma novidade para o Incra. As queixas incluem as fazendas Maroca e Maior, em Nova Olímpia, que há quatro anos foram compradas pelo órgão para fazer reforma agrária e não conseguiu concretizar o assentamento das famílias. Agora, por exemplo, o processo está emperrado na exigência de estudo de viabilidade ambiental porque há um entendimento de que as áreas estão dentro da Bacia Amazônica. Quando as terras foram adquiridas, disse, ninguém fez referência a essa questão. À tarde, os sem-terra tentaram entregar a pauta de reivindicações e agendar reunião com a superintendência do Incra, mas acabaram não conseguindo. O superintendente, Willian Sampaio, não esteve no órgão. “Não teve ninguém para nos receber”, reclamou o líder Zezão.

Edição EDIÇÃO 16966




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