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CIDADES
Sexta-feira, 18 de Dezembro de 2009, 00h:16

CHACINA DE MATUPÁ

MP pede que militares vão a júri popular

Sete policiais, entre eles um coronel da PM, devem ser submetidos a julgamento por ter permitido queima de 3 pessoas vivas, se Justiça aceitar

STEFFANIE SCHMIDT
Da Reportagem
Há um ano de prescrever um dos crimes que mais abalou a sociedade mato-grossense, o Ministério Público Estadual (MPE) solicitou o pedido para que os policiais militares, suspeitos de atear fogo em três assaltantes na cidade de Matupá, em 1990, fossem a júri popular. O pedido de pronúncia dos sete militares será analisado pela Justiça e, caso não haja recurso por parte dos réus, será decretado o julgamento popular. O episódio que ficou conhecido como a “Chacina de Matupᔠganhou projeção internacional pela monstruosidade das cenas, gravadas em VHS na época. Osvaldo Bachinan, 32, e os irmãos Ivacir Garcia dos Santos, 31, e Arci Garcia dos Santos, 28, foram queimados vivos, depois de serem presos pela Polícia Militar por assalto, no dia 23 de novembro de 1990. Durante 15 horas eles fizeram duas mulheres, uma delas grávida, além de quatro crianças reféns, sob a mira de revolveres. O fato revoltou a população. A empregada, que estava na casa, conseguiu fugir e chamou a polícia. Em poucos minutos diversos militares e civis, inclusive de cidades vizinhas, já cercavam a casa. Após a negociação, eles foram presos e entregues à Polícia Civil, segundo declarações do coronel Edyr Bispo Santos, à época. Em entrevista ao Diário, em 2000, ele afirmou que a polícia não tinha estrutura para conter a ameaça de linchamento. Segundo o MPE, os policiais militares denunciados são acusados de entregar à população os três assaltantes. Dezenas de pessoas atearam fogo nos três suspeitos. As cenas foram filmadas e exibidas em várias emissoras de televisão. As cenas são chocantes e mostram os três feridos e amontoados num descampado, com a população em volta. Um dos moradores joga gasolina e fogo. Osvaldo, mesmo depois de ter tido o corpo queimado por 15 minutos, permanece lúcido e pede perdão a Deus. A população em volta ironiza, perguntando: “está quente aí?”. Os policiais militares Edyr Bispo Santos, Lúcio da Silva, Juraci Messias dos Santos, Valter Benedito Soares, Lucir Ramos da Silva, Ciro Lopes e Jacles George de Melo foram denunciados em 1991 pelos crimes de emprego de fogo e tortura com “utilização de recurso que tornou impossível a defesa do ofendido”, além de violação do dever inerente ao cargo. As testemunhas-chaves da chacina já morreram ou não podem ser localizadas facilmente. O cinegrafista Lenon José Durrewald, que fez as imagens, já não mora mais em Matupá. O então prefeito, Adálio Martins, que foi trocado pelos reféns durante a negociação, também não mora mais na cidade. A irmã Adelis Schoan, uma alemã que veio participar de projetos missionários no Brasil e também negociou com os assaltantes, morreu há cerca de 12 anos. O delegado titular do caso, Osvaldo Florentino Leite Ferreira, também morreu em 2000. (Com assessoria)

Edição EDIÇÃO 16966




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