CIDADES
Sexta-feira, 31 de Julho de 2015, 08h:40
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ASSÉDIO SEXUAL
Modelo acusa fotógrafo
Uma modelo de 22 anos acusa fotógrafo de assédio sexual durante sessão fotográfica, em Rondonópolis
JOANICE DE DEUS
Da Reportagem
Uma modelo de 22 anos acusa fotógrafo de assédio sexual durante sessão fotográfica, em Rondonópolis (250 km ao Sul de Cuiabá). O fato ocorreu há dois meses, mas veio à tona agora, após a vítima denunciar a violência que sofreu em seu Facebook com os dizeres: Eu fui estuprada meu corpo não é um convite. A Polícia Civil abriu inquérito contra o suspeito por tentativa de estupro. Alegando cuidados com possíveis questões judiciais, Graziely Lemes não informa o nome do fotógrafo, muito conhecido segundo ela e que já fez inúmeros trabalhos com debutantes, casamentos e books, na cidade. Eu gostaria que o nome dele estivesse em todos os lugares, mas preciso ter cuidado porque, além de querer justiça e não querer que ele faça o mesmo com outras (modelos), preciso tomar alguns cuidados judiciais, disse. Ela afirma ainda que não recebeu o devido suporte das autoridades responsáveis a quem recorreu. Por telefone, Graziely contou que foi convidada para fazer um catálogo de lingerie para uma marca com o fotógrafo, com quem já havia trabalhado outras vezes. As fotos foram feitas na casa de uma colega de ambos. Porém, os donos precisaram sair e, por isso, acabaram ficando sozinhos. Não importa se havia uma ou mais pessoas. Estávamos trabalhando e ele tinha que respeitar, desabafa. A modelo relata que, ao final, o fotógrafo pediu para fazer outras fotos. Inicialmente, ela hesitou, mas acabou concordando devido à insistência e ao fato de já ter pousado para o mesmo outras vezes. Feitas aproximadamente dez fotos como queria o fotógrafo, ele abandonou a câmera dizendo que não podia mais. Imediatamente me levantei do banco onde estava e fui me vestir, ele veio atrás de mim pedindo para que eu o beijasse, que imaginava como era minha postura na cama e como me achava atraente, relata a jovem em sua página. Graziely conta que ficou assustada e sequer conseguia olhar para o rapaz, que já se masturbava. Ele, então, teria dito que queria muito realizar suas fantasias e que talvez, se não tivesse ficado sozinho comigo e me visto despida, seria diferente. Ora, então a culpa era minha por ter aceitado o trabalho? Por ter me despido na frente de uma pessoa que até então julgava como bom profissional?. Após se vestir e, ao passar pela porta da sala, a modelo afirma que o fotógrafo tentou segurá-la pela cintura. Depois do fato, o suspeito teria mandado uma carta a ela onde confessaria o crime e pedia desculpas. Munida da carta e acompanhada por uma professora do meu curso, representei o B.O., todavia, o escrivão me perguntou diversas vezes se não havia envolvimento sexual prévio com o agressor (como se isso fosse relevante), se o meu marido me deixava fazer fotos sensuais numa boa e concluiu que, na verdade, ele não ia me estuprar não, que na verdade o cara só havia se aproveitado da situação e como eu não quis acabou dando naquilo, mas que aquilo era coisa de homem mesmo. Demorei muito pra conseguir elaborar tamanha violência tanto do estuprador quanto de quem deveria me amparar. A PC informou que, à época, Graziely foi ouvida e encaminhada para exame de corpo de delito e que não fez qualquer representação quanto à conduta do escrivão. Ainda conforme a PC, a oitiva do fotógrafo já estava marcada e, nos próximos dias, o inquérito deverá ser concluído e enviado ao Ministério Público. Após a publicação no Facebook, a jovem recebeu mensagens de outras meninas que alegaram também terem sofrido abuso pelo mesmo indivíduo. Vale lembrar que, com a lei 12.015/2009, o estupro fica configurado não só com o ato sexual propriamente dito, ou seja, pela conjunção carnal, mas com a prática de atos libidinosos a fim satisfazer a lascívia de alguém (homem ou mulher).