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CIDADES
Quarta-feira, 24 de Abril de 2013, 20h:46

ACOMPANHANTE

Medida vai reduzir vagas nos hospitais

Maternidade não tem condições de instalar divisórias para garantir a privacidade dos pacientes sem reduzir leitos

HELSON FRANÇA
Da Reportagem
Os leitos nos hospitais de Cuiabá podem ser reduzidos para que acompanhantes tenham acesso aos locais de internação dos pacientes. O direito de familiares de permanecer no mesmo espaço de quem está internado consta numa normativa federal, em vigor na Capital desde a semana passada. Somente no Hospital Santa Helena, onde 100% dos atendimentos são feitos por meio do Sistema Único de Saúde (SUS), os leitos da sala de pré-parto passariam de 14 para seis. A redução torna possível a instalação das divisórias. No local – uma sala ampla e completamente aberta -, as mulheres que se encontram na iminência de dar à luz ficam cobertas apenas por uma camisola frontal e a presença dos maridos já estaria gerando situações constrangedoras. Em alguns casos, devido aos olhares indiscretos, o clima de animosidade entre as partes teve de ser contido por médicos e seguranças da unidade. A presença de homens estaria atrapalhando, inclusive, o trabalho dos médicos. Enciumados, alguns maridos estariam tentando impedir os médicos de realizar exames de dilatação nas esposas – procedimento necessário que antecede o trabalho de parto. “Não tem como continuar dessa forma. Se for cumprir a normativa vai ser preciso colocar divisórias, o que implica em reduzir o número de leitos e por consequência, a diminuição no número de partos”, alertou o vereador Ricardo Saad (PSDB), médico obstetra do hospital. Ele foi diretor da unidade por 25 anos. No Hospital, são realizados diariamente de 20 a 25 partos. Pelos cálculos de Saad, a quantidade cairia um terço, caso os leitos tenham mesmo de ser reduzidos para que as divisórias sejam colocadas. O vereador disse que, mesmo com uma multa estipulada de R$ 10 mil por dia em caso de descumprimento, o Hospital não vem cumprindo a normativa. Segundo ele, a assessoria jurídica da unidade já entrou com um recurso para invalidar os efeitos da normativa. A medida se baseia na lei federal 11.108/2005, que versa sobre o direito de mulheres a ter um acompanhante no trabalho de pré-parto, parto e pós-parto. Mãe de dois filhos, a arquiteta Cláudia Cristina Oliveira, 38 anos, defende o cumprimento da lei. “É um momento em que estamos fragilizadas, um pouco assustadas, ansiosas. Ficar sozinha, sem um acompanhante, é muito complicado. Os hospitais devem se adaptar e cumprir a lei”, pontou.

Edição EDIÇÃO 16962




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