CIDADES
Segunda-feira, 18 de Fevereiro de 2013, 21h:22
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PESQUISA
Médicos se recusam a trabalhar no SUS
Profissionais reclamam dos baixos salários e também da falta de infraestrutura das instituições públicas de saúde
GUSTAVO NASCIMENTO
Da Reportagem
Com 1,26 médicos para cada mil habitantes, Mato Grosso detém o mínimo de profissionais necessário sugerido pela Organização Mundial da Saúde (OMS). Porém, conforme o Sindicato dos Médicos de Mato Grosso (Sindimed), o índice não representa o acesso da população ao serviço, já que 41% dos trabalhadores estão na rede particular e muitos se recusam a atuar pelo Sistema Único de Saúde (SUS), onde está a maior parte dos pacientes, devido aos baixos salários e à falta de infraestrutura. Os dados apontam ainda que 51% dos profissionais estão atuando na Capital e um dos motivos apontados pela categoria é a falta de incentivo e até mesmo calote dos gestores no interior. Segundo a pesquisa Demografia Médica No Brasil 2: Cenários e indicadores de distribuição, divulgada ontem pelo Conselho Federal de Medicina (CFM) e pelo Conselho Regional de Medicina do Estado de São Paulo (Cremesp), o Brasil nunca teve tantos médicos porém e má distribuição é o gargalo. Para a presidente do Sindmed, Elza Queiroz, a porcentagem não reflete a realidade no interior de Mato Grosso. Os municípios do interior são muito carentes na área da saúde. Não há quem queira ir para uma cidade longe e sofrer com um salário baixo e baixas condições de infraestrutura. Segundo Queiroz, no interior também falta segurança aos profissionais. Tem cidade que oferece um alto salário, mas nada é garantido. Os gestores não realizam concursos e os contratos não garantem os direitos trabalhistas. Tem médico que é contratado de forma verbal e não tem nenhum vínculo com o poder municipal A presidente do Conselho Regional de Medicina (CRM), Dalva Alves das Neves, afirma que a única maneira de resolver o problema no estado é os gestores criarem planos de carreira para a profissão. Enquanto não criar o plano a situação vai continuar. Apenas Cuiabá e Várzea Grande têm planos, porém não são aplicados na totalidade. Para a médica, outro problema é a falta de médicos especialistas. Tem lugar que não tem ginecologista e no outro não tem ortopedista. MAIS NÚMEROS - O número de médicos em atividade no Brasil chegou a 388.015 em outubro de 2012, segundo o CFM. Agora o país tem dois profissionais por grupo de mil habitantes. O desequilíbrio é evidente na região Norte, com 1,01 médicos para cada grupo de mil habitantes, e na Nordeste, onde essa razão é de 1,23. O Sudeste tem razão de 2,67, seguida pelo Sul, com 2,09, e da Centro-Oeste, com 2,05.