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CIDADES
Sexta-feira, 11 de Setembro de 2009, 09h:42

CONSTRANGIMENTO

Mecânico tenta comprar chinelo e acaba suspeito de furto

STEFFANIE SCHMIDT
Da Reportagem
Com os dedos sujos pelo trabalho que exerce como mecânico de motocicleta, Lauremberg da Costa Dias, 24, tentou comprar um chinelo na manhã de ontem, mas acabou passando pelo constrangimento de ser suspeito de furto. Ele registrou um boletim de ocorrência no Cisc Planalto. Lauremberg teve a calça abaixada até a altura dos joelhos por um segurança do supermercado Compre Mais do bairro Pedregal, na frente de todos os clientes que estavam no local. “Até arrebentou o botão da minha calça”, disse o mecânico, que carrega no pescoço a proteção de Jesus Cristo e do Espírito Santo. Ele foi ao supermercado comprar um chinelo por volta das 7h40 de ontem, porque o que estava usando tinha acabado de arrebentar. “Era o único lugar que estava aberto e como eu já estava trabalhando desde cedo, estava todo sujo, mas com o uniforme da empresa”, afirmou. Segundo ele, teve de pedir autorização para o patrão para poder sair. A mecânica em que ele trabalha fica a duas quadras do supermercado. Ao analisar a seção de chinelos, colocada logo na entrada, do lado esquerdo do estabelecimento, Lauremberg se virou para ir embora porque, segundo ele, não encontrou nenhum que o agradasse. “Acabei comprando um outro por R$ 6 na vendinha quase em frente, porque é para uso do dia-a-dia, para vir trabalhar, e lá só tinha uns de R$ 27”, explicou o mecânico que trabalha desde os 13 anos com máquinas de lavouras e terraplanagem. Lauremberg afirmou que logo que se virou da seção foi imediatamente sendo revistado pelo segurança, que se quer perguntou por seu nome. “Me senti humilhado. Ele estava com a mão na cintura, em cima de uma arma e queria saber o que eu estava escondendo”. Segundo ele, apesar de explicar que era trabalhador e mostrar o uniforme da empresa, o segurança insistiu na revista e acabou abaixando suas calças. A administração do supermercado informou que nada aconteceu dentro do estabelecimento e que Lauremberg foi abordado na calçada, do lado de fora. A abordagem foi feita somente verbalmente, quando o mecânico começou a tirar a roupa e “fazer escândalo”, segundo manifestação do supermercado que afirmou ainda ter testemunhas sobre o fato. A administração não soube dizer se os seguranças têm carteira nacional de vigilante, mas alegaram que nenhum trabalha armado. A reportagem foi orientada a procurar o departamento de Recursos Humanos, mas não encontrou ninguém.

Edição EDIÇÃO 16969




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