CIDADES
Segunda-feira, 14 de Janeiro de 2013, 20h:37
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ESCOLAS ESTADUAIS
Mais de 72 horas na fila
Pais se acomodam em cadeiras e barracas para conseguir uma vaga nas melhores escolas da rede pública em Cuiabá
Laura Nabuco
Da Reportagem
Mais de 72 horas. Este é o tempo que cerca de 300 pais estão acampados em frente ao Colégio Estadual Liceu Cuiabano, no centro da Capital, para garantir uma vaga no ensino médio para os filhos. E a espera ainda não acabou. As matrículas têm início apenas amanhã. As barracas de camping, cadeiras e colchões são colocados na calçada. Não há permissão para entrar na escola, nem para beber água. Para usar o banheiro, os pais precisam pagar R$ 1 numa lanchonete na rua ao lado. O proprietário do estabelecimento, Douglas Alves, diz que a medida visa evitar tumulto. Quem consome alguma coisa, usa de graça, diz. À noite, a situação é ainda pior. Quem dorme na fila tem que procurar um lugar num terreno baldio em frente ao colégio para fazer as necessidades. É um absurdo. Tem cachorro morto e mato alto ali, reclama um dos pais. Para organizar a fila, senhas são distribuídas. Não basta apenas pegar uma delas, é preciso estar presente no momento da chamada, feita de duas em duas horas. A ideia partiu de Elizangela da Silva Monteiro, primeira a chegar. Com apenas com uma cadeira de fio, ela está em frente à escola desde sexta-feira à noite. Nem mesmo a chuva de domingo a fez desistir. Um senhor emprestou esta tenda, afirma. O motivo de tanta perseverança é o mesmo da maioria dos outros pais: o Liceu Cuiabano é considerado o melhor colégio público do Estado. O fato de a escola estar na região central de Cuiabá, também motiva a procura. Outros colégios, como o Presidente Médici e Nilo Póvoas, também no centro da cidade, passam por situação semelhante. Maria Auxiliadora Rosa Cortez é uma das mães que está na fila devido à localização do Liceu Cuiabano. Ela conta que a filha faz estágio e precisa estudar perto do local de trabalho. Nós moramos no distrito da Guia. Não tem como ela estudar lá e trabalhar aqui, diz. E a fila não é novidade. Aldimanda Paula Souza, 31 anos, ingressou no Liceu Cuiabano em 1992. Na época minha mãe já enfrentou essa maratona, conta. Ontem Aldimanda ainda avaliava se entraria na fila para matricular o filho. Este ano, no entanto, a espera começou mais cedo. Segundo alguns pais, a antecipação ocorreu porque em 2012, mesmo quem enfrentou duas noites dormindo em barracas não conseguiu matricular os filhos. Por meio da assessoria, a Secretaria de Estado de Educação (Seduc) afirmou que as filas não são necessárias, garantindo haver vagas suficientes para todos os alunos em 2013. Apesar disso, garantiu que vai respeitar a ordem de chegada dos pais nos locais onde houver listas ou senhas já distribuídas. Mesmo assim, a expectativa de quem está na porta da escola é de tumulto no momento da abertura dos portões. Sempre tem uns engraçadinhos que tentam passar na frente, diz uma mãe de aluno. A direção da Seduc justificou ainda que as escolas permanecerão fechadas até o dia das matrículas porque não há estrutura para acomodar todas as pessoas. No Liceu Cuiabano serão ofertadas 660 vagas para o ensino médio nos três turnos. Pela organização dos pais, as vagas da manhã já acabaram.