Há 18 anos, a vida de dona Sebastiana de Campos, 66 anos, é dedicar-se a cuidar do lar daqueles que já morreram. Sebastiana é responsável pela limpeza e manutenção de 36 lápides no Cemitério da Piedade. Ela não é funcionária da prefeitura e nem tampouco da empresa responsável pela administração do cemitério. O contrato informal dela é com as famílias dos falecidos. Sebastiana passa mais tempo no cemitério do que em sua própria residência, que fica a menos de 500 metros do local. Às vezes, diz, se vê sozinha entre a milhares de sepultura, entretanto, confessa não sentir nenhum medo. Tenho mais motivos para ter medo de certas pessoas que estão vivas, justifica. Ela mantém os túmulos em ordem para que os parentes possam visitar seus mortos em datas comemorativas como Natal, Ano Novo, Dia de Finados, aniversário de nascimento e falecimento. Aposentada pelo INSS com um salário mínimo, pouco mais de R$ 700, é o dinheiro da limpeza de túmulos que garanta melhor qualidade de vida para ele. Conforme Sebastiana, esse serviço lhe garante ao mês R$ 1,6 mil.