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CIDADES
Quinta-feira, 28 de Abril de 2011, 21h:18

TRABALHO

Liderança dos óbitos

Anuário aponta que o Estado é onde mais ocorrem mortes por acidentes de trabalhadores, com 20 a cada 100 mil empregados

ALECY ALVES
Da Reportagem
Mato Grosso é o estado com os índices mais altos de mortes por acidentes de trabalho. São 20 trabalhadores mortos para cada 100 mil empregados, conforme o Anuário Brasileiro de Proteção 2011, feito a partir do serviço de Classificação Nacional de Atividades Econômicas (CNAE). A nova edição faz uma análise histórica de 20 anos – 1990 a 2009 - e dos anos de 2006, 2007 e 2008 isoladamente. Divulgado ontem, o levantamento mostrou que aqui o número de óbitos é quase o dobro do segundo colocado, o estado de Rondônia, onde a proporção é de 12 mortes para cada 100 mil empregados. O Espírito Santo aparece na terceira posição, com oito mortes para a mesma proporção. Entre os estados do Centro-Oeste, Mato Grosso também apareceu em primeiro na média de acidente e doenças do trabalho ocorridas em 20 anos - 1990 a 2009. Enquanto os índices daqui chegaram a 36 óbitos, na mesma proporção, ou seja, de 100 mil trabalhadores, no vizinho estado do Mato Grosso do Sul, o segundo colocado, não passou de 20. Nos demais estados desta região os índices caem pela metade. Em Goiás, por exemplo, são 17 mortes, enquanto que no Distrito Federal foram sete - ambos dentro da mesma proporcionalidade. O Anuário é uma pesquisa que engloba todos os setores da economia onde há emprego de mão-de-obra. Traz outros dados sobre a situação dos trabalhadores mato-grossenses. Entre os quais, que o setor de transportes, armazenagens e encomendas (motoristas de cargas) foi o que apresentou a maior proporção de mortes. Em 2008, o setor registrou 107,31 óbitos num universo de 23.296 trabalhadores. No ano anterior, com dois trabalhos a menos, ocorreram 68,68 mortes. Em 2006, mesmo empregando menos pessoas, 19.489, já havia contabilizando índices altíssimos, 128,28 mortes, segundo a comparação histórica. Em segundo lugar em número de mortes vem o setor de extrativa mineral (que envolve garimpo, pedreiras e outros). Em 2006, por exemplo, com 1.944 empregados, a proporção foi de 102,88 mortes. Já em 2008 ocorreram 90,90 mortes para 2.205 trabalhadores. O presidente do Sindicato dos Caminhoneiros Autônomos, Roberto Pessoa Costa, concorda com as estatísticas. Ele diz que realmente morrem muitos trabalhadores enquanto estão nas estradas, trabalhando para o sustento da família. Com as rodovias em péssimas condições, reclama Costa, o quadro não poderia ser diferente. “Temos as piores rodovias do país, esburacadas, sem acostamento e sem sinalização”. No final da tarde de ontem, o superintendente do Trabalho e Emprego, Valdiney Antônio de Arruda, assinou um protocolo de intenções com a Secretaria Estadual de Segurança com o objetivo de reforçar a fiscalização e o policiamento sobre trabalho degradante e exploração da mão-de-obra de crianças e adolescentes no Estado.

Edição EDIÇÃO 16963




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