CIDADES
Sexta-feira, 06 de Maio de 2011, 20h:35
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SEM CONDIÇÕES
Leitos de UTI do PS serão interditados
Unidade pediátrica, que há meses só recebe paciente por força da Justiça, decisão tomada pelos próprios médicos, agora vai fechar para reforma
As UTIs Pediátrica e Neonatal do Pronto-Socorro Municipal de Cuiabá (PSMC) serão interditadas em até 72 horas, transferindo a demanda e os pacientes remanescentes para leitos da rede privada de saúde conveniada ao SUS. O anúncio foi feito por meio de nota à imprensa ontem pela Secretaria de Saúde no calor da polêmica causada por vídeos gravados por médicos que denunciam condições surpreendentemente escabrosas vividas pelos pacientes do PSMC. As unidades passarão por reformas. Foi da UTI Pediátrica, por exemplo, que vieram as imagens de uma pia que vertia água de esgoto pelo ralo. A cena é representativa, mas o vídeo divulgado pelo Sindicato dos Médicos (Sindimed) também mostra pacientes acomodados em macas ou até no chão pelos corredores e perto de cestos de lixo (há informações de pacientes no respirador atendidos no chão), baratas, infiltrações, banheiros impossíveis de serem utilizados, entre outros. Segundo a nota divulgada na tarde de ontem pela prefeitura, em até 72 horas os pacientes das UTIs Pediátrica e Neonatal (três, segundo o Sindimed) seriam remanejados para hospitais recém-contratados. Após a desocupação, as UTIs serão interditadas, obrigando à demanda de pacientes a internação em leitos contratados na rede privada. A prefeitura não informou quando começa a reforma dos setores, mas estimou que deve ficar pronta num prazo de 120 dias após aprovação do projeto executivo. O Ministério Público está a par, traz a nota. O presidente do Sindimed, Ednaldo Lemos, mencionou que o vídeo no PSMC foi gravado durante o plantão noturno de 2 de abril. Em janeiro, devido às condições adversas para o trabalho, os médicos que atuam nas UTIs Pediátrica e Neonatal decidiram interditar por própria conta o setor, admitindo só pacientes crônicos ou internados por decisão judicial. Na semana passada, em reunião com a Secretaria Municipal de Saúde, Lemos conta que cobrou reformas no setor, mas o titular da Pasta alegou que não poderia atender em menos de 90 dias. Último recurso, o Sindicato deu projeção nacional às gravações no PSMC. De repente, o discurso da prefeitura mudou, anunciando reforma imediata. PRECARIEDADE - Condições inaceitáveis similares às encontradas nas UTIs Pediátrica e Neonatal são denunciadas pelo Sindimed há tempos, pelo menos desde a greve de 2009, e voltarão a ser denunciadas em ato público na próxima terça-feira, quando o sindicato também tentará na Justiça a transferência de pacientes para outras unidades (ver matéria). Essas condições também já foram relatadas por profissionais e pacientes em outros setores do PSMC que, nos últimos anos, coincidindo com o agravamento da crise ali, tornou-se uma verdadeira fortaleza. Tanto a imprensa quanto a população em geral vivem dificuldades sem precedentes para entrar. Depende do guarda. A assistência tá muito errada, reclama Maria José Chaves, 74 anos, que ficou em pé das 8h até as 14h do lado de fora do PSMC esperando para ver seu filho acidentado. Ao chegar, avisaram que o horário de visitas é apenas às 16h30, mas não autorizaram a idosa a entrar nem para se acomodar em algum banco. Ela mora no 1º de Março. Situação idêntica passou ontem o ajudante de pedreiro Marcos Gonçalves Estevão, 33, de muletas desde janeiro, quando se acidentou. Os seguranças não o autorizaram a entrar para pelo menos se sentar enquanto esperava o horário de visitas para ver seu irmão, também acidentado numa outra ocasião. Se eu não tivesse conseguido transferência para outro hospital, estaria aqui até hoje esperando cirurgia, com caco de vidro nas costas e naquela maca no corredor, indigna-se, revelando o que sofreu no mesmo PSMC logo após o acidente.