Júri sentencia ex-policial por homicídio qualificado
ADILSON ROSA
Da Reportagem
O Tribunal do Júri de Cuiabá sentenciou a 17 anos e seis meses de prisão o ex-policial militar Jânio Albino de Carvalho. Ele foi acusado de matar o adolescente Deivison Rosalino de Siqueira, de 17 anos, e de tentar matar Carlos Rosa de Souza, que na época tinha 18 anos. O crime ocorreu na madrugada do dia 11 de maio de 2000 na estrada que dá acesso à Ponte de Ferro. Somente na noite seguinte é que a polícia localizou o cadáver. Na época, três policiais militares foram acusados do crime, mas somente Jânio foi denunciado pelo Ministério Público Estadual. A juíza Mônica Catarina Perri de Siqueira, presidente do Tribunal do Júri, decretou a prisão do ex-PM que não terá direito de apelar da decisão em liberdade. Ele foi condenado por homicídio duplamente qualificado recurso que dificultou a defesa por parte das vítimas e motivo torpe. Na sentença, a magistrada frisou que o comportamento das vítimas não influenciou na prática delitiva, pois não foi comprovado nos autos a tese de que teriam praticado assalto no dia dos fatos e ainda que tivessem não justificaria a conduta perpetrada pelo réu. Conforme a denúncia do Ministério Público, o adolescente foi executado com cinco tiros de pistola. Seu colega, o Carlos Rosa foi atingido por um tiro no pé e conseguiu escapar do assassinato, fugindo por um matagal. Carlinhos relatou que estava em seu barraco no bairro Três Barras em companhia de Deivison quando três homens invadiram o local. A vítima acrescentou que os homens estavam em uma Blazer do 3º Batalhão, sendo dois policiais fardados e um em trajes civis. Eles algemaram e chutaram a gente. Depois nos colocaram na Blazer, relatou Carlinhos à polícia naquela ocasião. Em seguida, os garotos rodaram no carro por cerca de uma hora e foram parar na região da Ponte de Ferro. Retirados do carro, os dois foram obrigados a se ajoelhar. Carlinhos ouviu o primeiro tiro e aproveitou um momento de vacilo dos militares para sair correndo para o mato. O desemprego relatou que ouviu o menor implorando: Ô tio, não me mata, pelo amor de Deus. Carlinhos ouviu depois mais quatro tiros em seqüência. Olha, não demorou muito e ouvi uma porta do carro bater e sair acelerando, completou Carlinhos. O desempregado esperou o dia amanhecer para ir ao pronto-socorro de Cuiabá, onde foi medicado.