As gêmeas siamesas mato-grossenses Keroly e Kauany completaram seis meses de vida esta semana e, no próximo dia 29, retornam ao Instituto da Criança, em São Paulo, para mais uma série de exames com vistas a uma cirurgia de separação das irmãs, que nasceram no Hospital Universitário Júlio Müller (HUJM), em Cuiabá, unidas da bacia para baixo. No momento, os médicos precisam avaliar a capacidade das meninas de passarem por uma tomografia, segundo a mãe, Selma Gonçalves Maurício Miranda, 31 anos, que mora no Vale do São Domingos (a 491 quilômetros de Cuiabá, com cerca de 3 mil habitantes). Sabe-se até o momento que as meninas dividem intestino grosso, bexiga e genitália, mas o exame identificará exatamente a real disposição dos órgãos internos. É o primeiro passo para se avaliar a possibilidade de submetê-las a uma cirurgia de separação, mas é possível que os médicos decidam também por esperar mais tempo para que as irmãs ganhem mais massa. O caso de Keroly e Kauany é inédito na medicina em Mato Grosso e ganhou atenção especial em janeiro até devido à pouca condição financeira da família para manter o aparato necessário à qualidade de vida das crianças. Os pais chegaram a pedir doações da sociedade em geral para poder viajar com as gêmeas para São Paulo e providenciar exames visando uma cirurgia de separação. Outro obstáculo enfrentado foi o fato de que apenas o aparelho digestivo de uma das meninas possuía saída para o bolo fecal, mas isso logo foi contornado por uma intervenção médica. Hoje, além de as crianças poderem se alimentar via oral e defecar sem problemas, elas se desenvolvem bem.