CIDADES
Terça-feira, 31 de Julho de 2012, 20h:59
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POMERI
Interno acusado de matar companheiro vai a júri
Vítima recebeu 130 golpes de chuço dentro do Centro Socioeducativo e motivação seria vingança
Laura Nabuco
Da Reportagem
Os julgamentos de dois internos do Complexo do Pomeri, em Cuiabá, estão previstos para ocorrer em agosto. Um deles é o de Adriaza dos Santos Alves, acusado de matar o companheiro de cela, Wellington Silva dos Anjos, com 130 golpes de chuço (arma branca artesanal). Na ação, ele contou com a colaboração de outros dois adolescentes e o motivo do assassinato, apontado pelo Ministério Público Estadual (MPE), seria vingança. Na época, outubro de 2011, o exame de necropsia revelou 130 perfurações no corpo da vítima, nas regiões do pescoço, tórax e abdômen. Após matar o interno, o denunciado se dirigiu até o banheiro, tomou banho, lavou o short que estava vestindo no momento do delito, trocou de roupa e, em seguida, entregou a roupa lavada ao seu vizinho de cela, com finalidade de ocultar as provas. Wellington era tido como o culpado de outra morte: a de Maxsuel Elias da Silva Almeida, ex-companheiro de cela de Adriaza, um mês antes. Informações revelaram que Maxsuel foi morto porque havia chamado Wellington de estuprador. Conforme os autos do processo, no entanto, ele era traficante e abastecia as alas do Pomeri com drogas. Como se viu alvo de calunia, Wellington matou Maxsuel. O crime faz parte da lista de 22 homicídios cometidos entre 1998 e 2011 que serão julgados por júri popular. O outro acusado de cometer homicídio dentro do Pomeri é Cecliênio Lourenço de Araújo. Ele teria matado Jefferson Libarino Batista Novaes com o auxílio de outros adolescentes internos ainda não identificados. Para o assassinato, além dos chuços, eles utilizaram barras de madeira com pregos cravados, segundo informações do processo. Cecliênio desconfiava que Jefferson estivesse envolvido no assassinato de seu pai, José de Araújo. A única mulher entre os réus é Bibiana Alves Pinheiro, que responde um processo com acusada de ter matado o marido. Conforme denúncia do Ministério Público, ela teria assassinado Joselande Melo de Souza, com quem vivia, com o auxílio da irmã, Valdete Alves da Silva. O crime foi cometido em 1999, na casa do casal e teria sido motivado por uma discussão conjugal. A acusação é de homicídio qualificado e o caso está previsto para ser julgado no dia 10. Em sua defesa, Bibiana afirma ter agido em legítima defesa, e diz ser vítima de espancamento de Joselande, que, segundo ela, era alcoólatra. Testemunhas, no entanto, declararam à Justiça que ela é quem era dependente de bebida alcoólica e que, sempre que embriagada, dizia que mataria o marido. Claudionor Elias Lipu, de 28 anos, também será julgado. Ele enfrenta o júri popular pela segunda vez, sob a mesma acusação: o assassinato de dois adolescentes. Em 2007, com um parecer do Ministério Público pela sua absolvição, ele acabou inocentado. O caso, no entanto, voltou a ser investigado e o novo julgamento está agendado para ocorrer no dia 14. Claudionor nega, mas é acusado de executar Valdemir Benedito da Rosa, de 16, e Cesar Thiago Bomdespacho Silva, de 17. Eles foram mortos a tiros em 2001, no distrito de Nossa Senhora da Guia, em Cuiabá. À época do primeiro julgamento, o MP avaliou o laudo de necropsia de um dos adolescentes como contraditório em relação ao horário da morte. A testemunha que apontava Claudionor como culpado não havia sido intimada.