CIDADES
Sábado, 05 de Maio de 2007, 13h:40
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PRAGA
Infestação de pombos prejudica escolas
Alunos de escolas públicas deixam de fazer educação física em virtude do acúmulo de fezes do animal, transmissor de doenças. Um professor já ficou cego
ALINE CHAGAS
Da Reportagem
Ninhos de pombos nos ferros que sustentam o telhado das quadras de esportes e muitas fezes da ave no chão. Esse cenário e a notícias de que as fezes do pombo podem trazer doenças começou a assustar a comunidade escolar da Grande Cuiabá. Professores de Educação Física passaram a dar aula em outros locais, enquanto as coordenações das escolas pedem ajuda à Secretaria de Estado da Educação (Seduc) para resolver o provável surto de pombos das escolas da região. O alerta veio do presidente do Sindicato dos Profissionais de Educação Física e Esportes de Mato Grosso, Carlos Eilert, que visitou diversas escolas e verificou que a situação dos pombos está fora do controle em toda a Capital e Várzea Grande. Segundo Eilert, sem manutenção da Seduc nas quadras, os professores de educação física estão preocupados com a saúde dos estudantes e optando por dar aulas em outros lugares, como quadras de praças ou campos de futebol. Eilert informou que há notícia inclusive de um professor que perdeu a visão por causa do contato com as fezes do pombo. Para o presidente do Sindicato, a Seduc ou a Vigilância Sanitária precisa tomar alguma providência para proteger a cobertura das quadras dos pombos e retirar os ninhos. O professor explicou que os fiscais do Sindicato deverão checar se a situação continuará assim nos próximos dias e, se a resposta for positiva, deverá acionar as autoridades competentes para resolver, de fato, o problema. O Sindicato não existe apenas para fiscalizar o profissional de Educação Física. Nossos fiscais também observam as condições de trabalho. O que está acontecendo fere um princípio básico das escolas, que é oferecer estudo dentro daquele ambiente, com segurança para o aluno, destaca Eilert. Na Escola Estadual Hermelinda de Figueiredo, localizada no bairro Coophema, a coordenação e professores de educação física alerta há meses a Seduc sobre o problema na quadra de esportes. A professora da matéria, Daniele Vanessa Corso, contou que o número de pombos é tanto que mesmo se a equipe da escola fizer a limpeza, minutos depois a quadra estará toda suja de novo. Por esse motivo, a coordenação optou por deslocar os alunos para outros locais na hora da educação física. Deixamos de dar aulas na quadra para evitar o contato dos alunos com as fezes dos pombos. O problema é que vamos para locais que não têm estrutura para receber alunos, não tem cobertura e nem água para beber. Os alunos chegam muitos cansados na escola depois da aula. A equipe da coordenação da escola Hermelinda diz que mandou por ofício o pedido de solução do problema à Seduc, mas obteve a resposta de que uma equipe terceirizada iria até o local para tirar os pombos. Até hoje, isso não ocorreu. A segunda tentativa dos professores foi ligar para o disque denúncia também da Seduc, mas receberam o aviso de que eles mesmos deveriam retirar os ninhos da cobertura da quadra. O secretário-adjunto de Estrutura Escolar da Seduc, Ezequiel Fonseca, informou que o órgão tem recebido ofícios de diversas escolas em Cuiabá, Várzea Grande e até de Rondonópolis com o mesmo problema. Em algumas, explica, a Seduc impediu a colocação de novos ninhos com uma proteção de tela, inserida nos espaços por onde as aves entram. Já enviamos um pedido de solução para o Centro de Controle de Zoonoses de Cuiabá e também para a UFMT. Não sabemos o que fazer para diminuir a população de pombos nas escolas. Enquanto não temos respostas, orientamos os diretores a retirar todos os ninhos que aparecem nas quadras com uma vara ou um gancho, frisa o gestor.