CIDADES
Domingo, 07 de Outubro de 2012, 23h:36
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CIDADANIA
Idosa de 98 anos faz questão de votar
Enquanto ir as urnas é um fardo para uma parte dos eleitores, outros fazem questão de comparecer a votação, mesmo quando não são obrigados
ALECY ALVES
Da Reportagem
A falta de credibilidade da classe política cria situações contraditórias entre o eleitorado cuiabano. Enquanto uma boa parcela dos eleitores que são obrigados a votar não compareceu às urnas, parte daqueles que podem deixar de votar faz questão de participar das eleições. O primeiro turno do pleito municipal de 2008, por exemplo, registrou 15,5% de abstenções, ou seja, 57.300 eleitores deixaram de votar. Outros 16 mil, número que representa 5% do eleitorado da Capital, foram às urnas, mas votaram nulo ou em branco. No segundo turno o percentual de abstenções subiu para 18,93%, ou 69.710 eleitores, e outros 3%, cerca de 9 mil, anularam. Em 2008, o eleitorado cuiabano era formado por 368.189 mil pessoas. Nas eleições deste ano, conforme dados do Tribunal Regional Eleitoral (TRE) quase chegou aos 400 mil, precisamente 397.626, em uma cidade com 550 mil habitantes. O vendedor Luiz Paulo Pereira da Silva, 45 anos, conta que nas duas últimas eleições (para prefeito e vereador, e depois governador, senador e outros cargos), votou em branco. Ele diz que está cansado de acompanhar tantas falcatruas e não ver ninguém sendo responsabilizado criminalmente ou devolvendo o dinheiro que roubaram dos cofres públicos. Com raras exceções, vemos um político que chega ao poder e realmente trabalha pela população; o que prevalece é o interesse próprio, desabafa Silva. Não votar, justifica, o faz se sentir menos responsável por eleger alguém que age com incompetência ou desonestamente. Aos 98 anos, a professora aposentada Doralice Mainardy da Silva, dona Dôra, pode ser apresentada com um bom exemplo de exercício da cidadania. Há quase três décadas, quando completou 70 anos, ela não é obrigada a votar, entretanto faz questão de comparecer às urnas, ao invés de ficar em casa reclamando dos políticos. A professora, que provavelmente é uma das eleitoras mais velhas da Capital, orgulha-se de dizer que nunca faltou a uma eleição. Ela diz que enquanto tiver saúde continuará exercendo o direito e contribuindo com o seu país. Pelas condições físicas e mentais e o histórico familiar, Dona Dôra ainda vai alcançar muitas eleições. Lúcida e com uma visão de causar inveja, ela contou que o pai dela, Ricardo Mainardy, morreu com 105 anos. O estudante Rodolfo Luiz Oliveira de Campos, que acabou de completar 16 anos e votará pela primeira vez, considera seu voto importante e decisivo. Eu penso que posso decidir uma eleição, sendo assim, tenho a obrigação de votar, mesmo não sendo obrigatório. Crítico e bastante politizado, Rodolfo, que se prepara para o vestibular, acha que os jovens devem participar da vida política do país e cobrar mais daqueles que foram eleitos para legislar e administrar as cidades e o país.