CIDADES
Sábado, 07 de Junho de 2014, 14h:10
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REGISTRO DE MARCA
Há uma década, peixaria luta para manter o nome
YURI RAMIRES
Da Reportagem
Um dos restaurantes mais requintados e procuradores de Cuiabá, a Lélis Peixaria, luta na Justiça há quase 10 anos para manter o nome no mercado. Acontece que o restaurante italiano Lellis Tattoria, de São Paulo, quer impedir que a peixaria use a nominação que remete à marca paulista. Porém, a briga judicial parece não ter fim. No começo da semana, o Judiciário julgou improcedente uma segunda ação movida pela marca paulista contra uma outra empresa, de Sinop. A peixaria cuiabana, que ficou conhecida pelo seu rodízio de peixes e outras carnes brancas, administrada por Lélis Fonseca, já ganhou por duas vezes o direito de usar a marca. Entendo que para eles são uma marca, mas é meu nome, lembra o empresário. A peixaria deverá ser um dos restaurantes de maior procura nos próximos dias, com a chegada da Copa, em razão da variedade única de pescados de praticamente todas as bacias hidrográficas do Estado. Lélis diz que o impasse entre os restaurantes é antigo. O último embate, segundo o empresário, foi por meio de um pedido de liminar visando que a peixaria parasse de atender pelo nome do administrador após 30 dias, mas foi negada. Fora isso, Lélis alega que as especializações dos restaurantes são diferentes e de forma alguma a peixaria remete ao restaurante italiano. Hoje em dia, grande parte dos restaurantes atende por segmento. Se meu estabelecimento remetesse ao deles, aí tudo bem, mas isso não acontece, lembra. Vale ressaltar que o Lélis cuiabano é escrito com um L, diferente do nome paulista. A reportagem do Diário conversou com Fábio Lellis, do Lellis Tratoria. Ele diz que as ações judiciais movidas em Mato Grosso são consequência da falta de respeito com a dedicação que é necessária para a construção de uma marca. Para Fábio, no Brasil empresas e pessoas não valorizam essa construção. O motivo é a confusão que nossos clientes fazem, e que indiscutivelmente em razão de preservar a marca e inibir que terceiros tirem proveitos da tradição, que segue desde 1981, afirmou. O restaurante alega que já registrou outras marcas, como Vero. É Lellis, Ellis Trattoria, L Jlellis Trattoria, Elis e Ellis. Lélis Fonseca explica ao Diário que não tem a intenção de manter uma rede de restaurantes com o nome da peixaria. E que, ao contrário da família paulista, não o vê como uma marca. Exemplo disso foi o restaurante italiano que Lélis administrou na cidade, o Due Ladrone. Com uma ação no mesmo modelo, o Lellis Trattoria tentou impedir que a Produtos Leli, de Sinop, continuasse atendendo com essa nominação. Mas a ação foi julgada como improcedente pelo juiz Clovis Mario Teixeira de Mello. O magistrado ressaltou que ambas empresas atuam em ramos diferenciados, sendo um restaurante e outro fábrica de especiarias. Os produtos da Leli são nada mais que chás em pó, temperos e confeitos para doces e bolos.