CIDADES
Quarta-feira, 10 de Março de 2010, 21h:16
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EDUCAÇÃO EM VG
Greve deflagrada por tempo indeterminado
Cerca de 23 mil alunos da rede municipal de ensino devem ficar sem aula por conta do pleito de trabalhadores que querem PCCS e aumento do piso
JOANICE DE DEUS
Da Reportagem
O ano letivo na rede de ensino de Várzea Grande começa com crise entre os trabalhadores da Educação e a prefeitura. Desde ontem, a categoria cruzou os braços por tempo indeterminado pela implantação do Plano de Cargo, Carreira e Salários (PCCS) e recomposição salarial de 18%. A greve compromete os estudos de 23 mil alunos. Ontem pela manhã, cerca de 300 dos 1.600 trabalhadores, entre técnicos e professores, realizaram uma passeata pela avenida Couto Magalhães, centro da cidade. Eles cobravam diálogo, respeito e uma proposta concreta por parte da administração municipal quanto às reivindicações. Desde o início da administração do prefeito Murilo não temos recomposição, afirmou a presidente do Sindicato dos Trabalhadores do Ensino Público subsede Várzea Grande, Maria Aparecida Arruda Cortez. A greve foi decidida em assembleia geral realizada no último dia 5. Conforme Cida, como é conhecida, estudos realizados pelo sindicato demonstram a viabilidade financeira da Secretaria de Educação do Município para o atendimento da recomposição para todos os funcionários, professores efetivos e contratados. Atualmente, o piso pago na cidade é de R$ 656. O pior piso pago em Mato Grosso, frisou Aparecida Cortez. O Sintep também denuncia a administração municipal por fazer contratos irregulares. Segundo Aparecida Cortez, um levantamento feito na folha de julho do ano passado revelou a contratação de 302 pessoas, que estariam trabalhando para creches particulares, centro equestre ou igrejas. Para o pagamento deste pessoal são destinados R$ 251 mil por mês somente do Fundo de Manutenção e Desenvolvimento da Educação Básica e de Valorização dos Profissionais da Educação (Fundeb). Do outro lado, a Secretaria de Educação e Cultura (SMEC) se posicionou em não negociar enquanto haver greve. Em nota divulgada no último dia 8 o órgão alega que o documento apresentado pelo Sintep não traz qualquer justificativa plausível para uma paralisação na rede pública de ensino. Além disso, argumenta que a data-base da categoria é setembro, daí a decisão de não antecipar a negociação salarial, além de garantir que vem dialogando com o sindicato e representantes sempre que solicitado. A nota informa ainda que foi votada e sancionada a Lei Municipal nº 3.420/2009, de 17 dezembro passado, que fixa o piso municipal do profissional do magistério público e que não existe por parte da administração municipal qualquer restrição em dar andamento aos estudos voltados à implantação definitiva do PCCS da categoria, tendo ofertado inclusive prazo máximo de seis meses para conclusão destes estudos.