Grávida e família atravessam rio em barco, mas sem coletes
Grávida de quatro meses, Jaine Villa teve de atravessar o rio da Casca em um barco de alumínio sem motor e sem remo para chegar até a fazenda Boa Esperança, onde mora com o marido Vanuir Jesus Villa e a sogra Valda da Silva Villa. Na travessia, o marido de Jaine usou um cabo de aço que estava amarrado em árvores nos dois extremos da margem. Nenhum dos quatro passageiros do barco, havia mais um morador vizinho, usou colete salva-vida. O cabo de aço que atravessa o leito do rio tem servido também para dar sustentação ao transporte de verduras e legumes produzidos na mesma fazenda, que fica do outro lado do rio a menos de 300 metros da ponte que desabou. Dona Valda, funcionária da fazenda, disse que o cabo de aço foi instalado por causa da forte correnteza do rio. A fazenda Boa Esperança produz grande quantidade de verduras e legumes que são entregues três vezes por semana em diversos supermercados de Cuiabá. Desde que a ponte caiu, o pequeno barco tornou-se o único meio de transporte dos produtos da sede da fazenda até a outra margem do rio, de onde seguem viagem em outro caminhão. Valda, que acompanhou a nora até Chapada dos Guimarães num exame de ultra-sonografia, disse que nos 10 anos em que trabalha como cozinheira na fazenda jamais havia testemunhado tamanha dificuldade. Quando chove o pessoal sofre mais, carregando as caixas de verduras para o barquinho e depois para o caminhão que fica esperando do outro lado, relatou ela. Moradores como dona Valda, seu filho e sua nora também enfrentam uma perigosa rotina quando precisam se deslocar até Chapada dos Guimarães ou Cuiabá. Para retornar de Chapada, eles tomaram um ônibus até Cachoeira Rica, de onde seguiram de carona num caminhão até uma fazenda, andaram uns dois quilômetros a pé e depois fizeram a travessia no barco. (AA)