CIDADES
Quarta-feira, 01 de Agosto de 2012, 20h:52
A
A
Funai muda coordenador após ameaças
O coordenador regional da Fundação Nacional do Índio (Funai) em Ribeirão Cascalheira (a 725 km de Cuiabá), Denivaldo Roberto da Rocha, deixou o cargo por medidas de segurança. Distante 175 km da Gleba Suiá Missú, a unidade da Funai comandada até a última segunda-feira por ele será responsável por coordenar o plano de retirada dos não-índios do território demarcado como reserva indígena Marãiwatséde, da etnia Xavante. Rocha estava à frente do escritório da Funai no município desde 2009, mas sua atuação na região teve início no ano 2000. Desde então, ele estaria recebendo ameaças de morte. Alessandro Ferreira Corrêa substituirá Rocha pelo período de 90 dias, conforme portaria da Funai. A troca foi motivada pela iminente ameaça de conflito devido à homologação, pela Justiça Federal, do plano de desintrusão de uma área de 165 mil hectares. O clima na região é tenso desde o final de junho, quando a liminar que mantinha os posseiros na gleba foi derrubada pelo Tribunal Regional Federal (TRF) da 1ª Região. À época, produtores rurais trancaram a BR-158 em forma de protesto e só liberaram o fluxo de veículos mediante a promessa de serem recebidos pela presidente da Funai, Marta Maria Azevedo. O Governo do Estado chegou a intermediar o encontro entre os representantes da Associação dos Produtores Rurais da Gleba Suiá Missú (Aprosum) e a presidência da fundação. Na ocasião, voltou a oferecer outra área, com aproximadamente 250 mil hectares, localiza no Parque Estadual do Araguaia, à União em forma de permuta. O argumento do Estado é que a área alvo de litígio é ocupada por fazendas há pelo menos 20 anos, quanto o espaço cedido está totalmente preservado. A proposta, no entanto, não recebeu uma sinalização positiva da Funai. Diante da negativa, o governador Silval Barbosa (PMDB) chegou a jogar a responsabilidade por um eventual conflito sobre o governo federal. O peemedebista também cogitou a possibilidade de intervir judicialmente em favor dos posseiros, uma vez que os títulos das terras teriam sido fornecidos a eles pelo Estado. Até o momento, contudo, a Procuradoria Geral do Estado não se manifestou. A gleba Suiá Missú é alvo de litígio desde 1998, quando a demarcação da reserva Marãiwatséde foi feita. (LN)