Se a produção de narcóticos responde por grande parcela da economia da Bolívia, a droga que passa pela vulnerável fronteira do Estado com o país vizinho influencia diretamente na vida da região, principalmente na criminalidade da cidade de Cáceres (a 225 quilômetros de Cuiabá). Porém, autoridades responsáveis pela fiscalização da fronteira seca, com extensão superior a 700 quilômetros (km), informam que não há como mensurar uma média diária da quantidade de drogas que adentra o Estado, especialmente passando por Cáceres. De acordo com o chefe de operações do Grupo Especial de Fronteira (Gefron), tenente-coronel Celso Souza Barbosa, a estimativa é de que a fiscalização policial consiga apreender apenas 10% da droga traficada na fronteira. A maior parte desta quantia se refere às apreensões realizadas em terra, por operações com alvo nas rodovias e nas estradas clandestinas conhecidas como cabriteiras. Mas outra parte significativa vem é pelo ar. Segundo o comandante do Gefron, coronel Raimundo Francisco de Souza, o poder do Estado na fronteira está aquém do necessário. É humanamente impossível fiscalizar toda a extensão da fronteira, mas o mundo do crime também tem muito mais aparato do que a gente imagina. Souza destaca que os traficantes também se utilizam dos 200 km de fronteira alagada (Pantanal) para introduzir cargas de narcóticos no Estado a bordo de barcos.