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CIDADES
Segunda-feira, 09 de Maio de 2011, 21h:26

CASO LEOPOLDINO II

Farsa se dá desde 2006, denuncia MPF

Alegações à Justiça demonstram que, com base nos depoimentos dos envolvidos, trama da suposta reviravolta acontece há pelo menos 5 anos

Conforme as acusações do Ministério Público Federal, o delegado Márcio Pieroni tentou por duas vezes afirmar que o juiz Leopoldino Marques do Amaral estava vivo, a partir das ligações com o empresário Josino Guimarães. Na primeira, em 2006, a ex-escrevente Beatriz Árias, condenada pela morte do magistrado, participou dos fatos que culminaram na primeira exumação dos restos mortais de Leopoldino. Segundo o MPF, Beatriz Árias compareceu no último dia 2 à Procuradoria Regional da República para contar, de forma espontânea, como foi “montada a farsa” de 2006. O delegado havia procurado a ex-escrevente para que prestasse um depoimento sobre a morte na sede da Delegacia de Meio Ambiente – da qual era o titular. Este depoimento, conforme Beatriz disse ao MPF, aconteceu depois do expediente. Beatriz teria desconfiado da intenção do delegado, que foi procurá-la em casa para falar em uma conversa informal, mas que poderia chamar seu advogado. Na delegacia, conforme o MPF, o delegado havia dito à ex-escrevente que estava tomando aquela atitude a pedido do então desembargador Paulo Lessa, hoje secretário de Justiça e Direitos Humanos de Mato Grosso. “Que a depoente ligou para o desembargador Paulo Lessa; que o desembargador disse que poderia confiar nele e que era para responder tudo que o delegado Pieroni perguntasse”, consta do depoimento de Beatriz ao MPF. Ainda assim, a ex-escrevente afirmou não ter dito ao delegado partes do texto que constavam em seu depoimento, como a afirmação de que Leopoldino estava vivo e morando na Argentina. Ela também disse ao MPF não ter afirmado a Márcio Pieroni que já havia tentado avisar por várias vezes às autoridades judiciais da necessidade de se fazer um novo exame no cadáver do magistrado (ver quadro). O juiz Pedro Sakamoto determinou a exumação do cadáver e ainda que o delegado Márcio Pieroni, que não era titular da Delegacia de Homicídios à época, acompanhasse o exame. Porém, a Diretoria da Polícia Civil interveio e designou outro delegado para acompanhar os fatos. Novo exame de DNA – o primeiro foi em 1999, quando analisados os restos mortais do corpo encontrado em Concepción, no Paraguai, - realizado pela Universidade de Campinas provou que o corpo era do magistrado. Além desse exame, pelo menos outros cinco foram realizados anteriormente e todos comprovavam ser de Leopoldino o corpo encontrado em 1999. Em 2011, enquanto titular da DHPP, Pieroni iniciou, de acordo com o MPF, nova trajetória para querer levantar dúvidas sobre a morte do juiz, em conluio com Josino Guimarães. Agora, através de depoimentos deturpados e “orientados” pelo delegado de pessoas que teriam alguma ligação com o juiz Leopoldino e supostamente disseram que ele estava vivo e morando na Bolívia, conforme trouxe a denúncia do MPF. Para o juiz federal que decretou as prisões, Paulo César Sodré, “seguindo os mesmos passos, da tentativa de 2006, as provas foram produzidas, utilizando-se de um delegado incompetente, bem assim autorizados por órgãos judiciais, constitucionalmente incompetentes. No caso, como bem deixei consignado, por ocasião da decisão que decretou a nulidade de todas as provas produzidas no âmbito estadual, aqueles juízos eram totalmente incompetentes”, disse, referindo-se à decisão tomada ainda em março extinguindo todos os feitos sobre o caso na esfera estadual. O Ministério Público Federal pediu que cópia integral dos autos seja remetida ao Conselho Nacional de Justiça, às corregedorias do Tribunal de Justiça e da Polícia Civil, assim como à Procuradoria Geral de Justiça para atuarem nos seus respectivos campos de atribuição. Ainda foi requisitada à Polícia Federal a instauração de novo inquérito policial para apurar a existência de outros mandantes no assassinato do juiz Leopoldino, assim como o envolvimento de outras pessoas na farsa apontada. As investigações ainda continuam.

Edição EDIÇÃO 16967




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