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CIDADES
Quarta-feira, 09 de Fevereiro de 2011, 21h:14

ALTO DA COLINA

Famílias já prontas para serem despejadas

Moradores de área de chácaras terão casas demolidas em favor de mineradora

RENÊ DIÓZ
Da Reportagem
Moradores da região rural denominada Alto da Colina, em Cuiabá, estão apreensivos com a possibilidade de demolição de suas casas a qualquer momento a partir de hoje. São 47 famílias assentadas há cerca de cinco anos em 108 hectares de terra, hoje objeto de uma disputa agrária com uma mineradora cujo terreno, apontou o próprio Instituto de Terras de Mato Grosso (Intermat), está a pelo menos 1 Km de distância, fato que teria sido ignorado pela Justiça ao conceder liminar pela reintegração de posse em favor da empresa. A região de chácaras é próxima ao bairro Altos da Glória e só se chega até lá por estradas de terra. Na tarde de ontem, os moradores tomavam as estradas com rumo ao centro da cidade em carros carregados para mudança, devido à iminente demolição de suas casas. Um dos que tinham praticamente tudo preparado para sair era o aposentado Antônio Alves de Freitas, 52, indignado por estar saindo de uma terra reivindicada por pessoas que sequer provaram deter a área, na qual ele diz plantar desde eucalipto a pequi. “Tô de saída porque eles chegam e acabam com tudo. E a gente já não tem nada”, revolta-se. Antônio conta que chegou ali há cerca de quatro anos, porque sabia que parte das terras é devoluta. A outra metade é de herdeiros de Caetano Costa Monteira, que hoje convivem em harmonia com os assentados da região e nunca reclamaram na Justiça o direito sobre as terras. Segundo o aposentado, uma mineradora que detém terras vizinhas conseguiu forjar documentos apontando a área dos assentados como sua e passou a reclamar direito sobre ela perante a Justiça. Em outubro, o resultado foram onze casas de assentados demolidas por duas pás-carregadeiras. Segundo eles, a briga judicial comprada pela mineradora na verdade seria em prol de um grande grileiro, que inclusive acompanhou as máquinas na demolição no ano passado. Em março, Antônio – que também teve a casa demolida em outubro e a reergueu - conseguiu às duras penas no Intermat documento atestando que as terras dos assentados estavam a pelo menos um quilômetro de distância da área da mineradora e encaminhou ofício até a candidatos do último pleito eleitoral em busca de ajuda para fazer com que a Justiça levasse o documento em conta. “Só não vê quem não quer. É uma prova do Intermat. Se não é o suficiente, o que vamos dizer?”, questiona o aposentado. REINTEGRAÇÃO - Ninguém auxiliou e, segundo Antônio, a Justiça continuou ignorando a situação dos assentados. Numa das audiências marcadas na Vara do Direito Agrário, relata que compareceram cinqüenta representantes da família. Eles entraram mudos e saíram calados, segundo Antônio, pois só houve diálogo com os dois representantes da mineradora. Uma nova audiência sobre o caso está marcada para o dia 22, mas a Justiça já expediu, no dia 1º de fevereiro, mandado de reintegração de posse em desfavor dos assentados. Na última sexta-feira, um oficial de Justiça esteve no assentamento e ordenou que a área estivesse limpa até hoje para iniciar a demolição das casas e os moradores dizem se sentir de mãos atadas. “É o poder público indo contra o próprio povo. A associação vai continuar na Justiça, mas não sabe como”, informou o presidente da Associação dos Chacareiros do Altos da Colina (Acalco), Silvio Gomes Ríboli, reclamando também da dificuldade para se conseguir a liberação dos documentos em prol dos assentados no Intermat. A reportagem não conseguiu contato com a mineradora em litígio pela área para obter sua versão dos fatos e, por isso, não divulgou seu nome.

Edição EDIÇÃO 16966




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