CIDADES
Quarta-feira, 12 de Maio de 2010, 21h:00
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HABITAÇÃO
Famílias invadem parte de loteamento
Ação foi em represália à exclusão de dezenas de pessoas que estariam previstas para área, mas denunciaram ter sido preteridas durante seleção
ALECY ALVES
Da Reportagem
O clima é tenso em uma área recém-ocupada no loteamento Nova Esperança III, região do Coxipó, onde dezenas de pessoas denunciam a cobrança de taxa de cadastramento e venda ilegal de lotes para empresários e famílias de alto poder aquisitivo. Ontem pela manhã, em represália à exclusão em terrenos de um assentamento feito pela Associação de Moradores e Agência Municipal de Habitação, cerca de 30 famílias invadiram a parte do loteamento que fica de frente para a área supostamente comercializada por lideranças comunitárias. O protesto trouxe à tona denúncias graves contra um funcionário da Agência de Habitação, o presidente da Associação de Moradores, Josuel Ribeiro de Lima, e uma mulher conhecida como Catarina que, mesmo não sendo membro da entidade, estaria à frente do cadastro e escolha das famílias que deveriam ser beneficiadas com lotes. Fábio Assunção, que ontem ocupou um lote, disse que desde 2008, quando fizeram a primeira ocupação e acabaram sendo despejados, vive a expectativa de ser beneficiado com um lote. Fábio disse que chegou a ser cadastrado pela Agência Municipal de Habitação com a promessa de receber um terreno para construir sua moradia. A área onde deveríamos morar foi vendida para donos de escola particular, de supermercado, loja de materiais de construção e outras empresas. Tem até funcionário da Habitação com lotes aqui, denunciou Fábio. À reportagem do Diário, Fábio e outros invasores citaram nominalmente as empresas, de diversos ramos do comércio, e o funcionário da Habitação que seriam donos de terrenos na área. Izalene Gomes da Silva não está na área invadida e continua sem casa própria quase dois anos depois de ter pago R$ 100 à associação de moradores, supostamente para contribuir com os trabalho de topografia. Izalene, a exemplo daqueles que participaram da ocupação de 2008, teria a garantia de um terreno no loteamento que seria viabilizado na região. Ao invés disso, disse, viu a área sendo ocupada por pessoas que não participaram da ocupação anterior. Andressa Rodrigues e Eziel Siqueira, casados, pais de duas crianças, denunciaram que o cadastro deles sequer chegou à Agência de Habitação. Nos cadastramos com a dona Catarina logo depois do despejo, pagamos R$ 10, mas nossa ficha desapareceu denunciaram. O presidente da Associação de Moradores, Josuel Lima, esteve no local e foi cercado por um grupo de famílias, sendo questionado sobre os critérios de seleção dos beneficiários, suposta venda de lotes, pagamento de outras taxas. Josuel negou a venda de lotes para empresas, mas admitiu a cobrança da taxa de topografia de várias pessoas que acabaram não recebendo lotes. Quem pagou pode passar na associação que vamos devolver o dinheiro, disse. De acordo com Josuel, algumas famílias ficaram de fora porque a prefeitura arrecadou somente 120 lotes na área. Desses, 30 foram repassados a um empresário como forma de compensá-lo pelos prejuízos que sofrera pela invasão de uma área no Ribeirão do Lipa. Outros 45, disse Josuel, foram entregues à associação para atender famílias de baixa renda. Com os outros 45 a Habitação atendeu integrantes da invasão de 2008 cadastrados por dona Catarina, que na época liderava o movimento.