CIDADES
Domingo, 13 de Setembro de 2009, 01h:17
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CASOS DE SAÚDE
Famílias cobram responsáveis por mortes
Pedro Henrique, 1,8 ano, e Heidi, 34, morreram em circunstâncias estranhas em procedimentos médicos. Investigações da polícia estacionadas
JOANICE DE DEUS
Da Reportagem
Passou um ano e as famílias do menino Pedro Henrique Pereira dos Santos e da oficial de justiça Heidi Aparecida de Almeida ainda aguardam a conclusão dos inquéritos policiais abertos para investigar se eles foram vítimas de erro médico durante procedimentos no Hospital Otorrino, em Cuiabá. Há um mês eu fui chamado para prestar depoimento na polícia. Mas, já faz um ano que o fato aconteceu e até agora não tivemos nenhuma resposta. Tudo o que não queremos é que mais este caso fique impune, diz Silvio dos Santos Silva, avô de Pedro Henrique que era considerado como um filho. Tanto no caso de Pedro Henrique como no da Heidi, os laudos do Instituto Médico Legal (IML) foram inconclusivos, ou seja, não apontaram a causa da morte. Em ambos, também foi solicitada ao Ministério Público Estadual (MPE) a dilação do prazo para conclusão, o que torna os processos mais demorados. O inquérito que apura as circunstâncias da morte de Pedro Henrique foi transferido recentemente do Cisc Verdão para a Delegacia Especializada de Defesa dos Direitos da Criança e do Adolescente (Dedica). A investigação está sob a responsabilidade da delegada Mara Rúbia de Carvalho, que além de ouvir novamente as partes envolvidas, solicitou um laudo complementar. Para a família não há dúvidas que Pedro Henrique foi vítima de negligência médica. Com um ano e oito meses, ele morreu no dia 27 de agosto de 2008, ao ser submetido a um exame no Hospital Otorrino. O garoto sofreu uma parada cardiorrespiratória enquanto era realizado o procedimento anestésico pelo médico José Pinheiro da Silva. Ele ainda passou por reanimação no próprio hospital e, posteriormente, foi encaminhado à Unidade de Terapia Intensiva (UTI) da Clínica Femina, mas não resistiu. No registro de óbito, a causa consta como morte encefálica, parada cardiorrespiratória por indução anestésica. A avó, Maria de Fátima Pereira e Silva, lembra que o neto entrou no hospital andando, brincando e rindo. Ela acusa os médicos de terem tomado o menino brutalmente das mãos da mãe, Maísa Pereira, hoje grávida de 9 meses novamente de um menino. Não tiveram piedade em nenhum momento. Disseram que iam devolvê-lo em dez minutos e o devolveram morto, lamenta. Embora tentem seguir a vida, os pais e avôs contam que a dor pela morte do garoto ainda é imensa. A gente não esquece um dia. A falta dele é inexplicável, só quem já passou por isso sabe o que estamos sentindo, diz Maria de Fátima. A gravidez da Maísa é uma benção que Deus está nos dando novamente, mas o Pedro Henrique é insubstituível, era um bebê que aonde chegava brilhava, uma estrela que nunca vai se apagar, acrescenta. Já a morte Heidi Aparecida, 34 anos, aconteceu no dia 6 de junho de 2008, após ser submetida a um procedimento cirúrgico reparador no nariz, também no Otorrino. Um detalhe lembrado pelo pai da jovem, Epaminondas Batista de Almeida, é que o fato ocorreu cerca de dois meses antes da morte de Pedro Henrique. Se tivessem tomado alguma providência, talvez o garoto ainda estivesse vivo, observa. Mas, até agora, depois de um ano e quatro meses, tudo continua da mesma forma, não fizeram nada, está tudo parado, lamenta. Heidi Aparecida sofreu uma parada cardiorrespiratória e foi transferida para outra unidade hospitalar particular, aonde veio a falecer seis dias depois. Desde a morte da oficial, os familiares e amigos têm realizado manifestações pelas ruas da cidade pedindo justiça. Faz um ano e só ficou a saudade dela e o sentimento de impunidade que existe neste país, finaliza o pai dizendo-se enfraquecido, porém, que ainda quer acreditar na Justiça.