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CIDADES
Terça-feira, 02 de Dezembro de 2025, 11h:32

ABILIO ANUNCIOU DESAPROPRIAÇÃO

Família de dono diz que não vendeu área do Contorno Leste

Filho de João Pinto nega que exista acordo fechado com o Município, como disse o prefeito

MARCOS LEMOS
Da Reportagem
Bárbara Siviero/TVCA
Centenas de famílias que ocupam uma área na região do Contorno Leste protestaram, medes atrás, em frente à Prefeitura de Cuiabá

A sessão desta terça-feira (2), na Câmara de Cuiabá, foi marcada pela fala de Luiz Pinto, filho de João Pinto, proprietário da área onde está a ocupação do Contorno Leste.

Em posicionamento firme, ele contrariou o anúncio feito pelo prefeito Abílio Brunini (PL), no fim de semana, quando afirmou que o Município havia protocolado a intenção de desapropriar a área para regularizar a comunidade.

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Segundo Luiz Pinto, a família não tem interesse em vender o terreno, contrariando a narrativa de que um acordo já estaria encaminhado.

Ele destacou que seu pai, falecido, sempre rejeitou propostas financeiras - inclusive, anteriores à construção da avenida -, por entender a região como espaço de preservação, e não de exploração.

“A propriedade sempre recebeu propostas, muito antes da obra do Contorno Leste. Meu pai nunca buscou lucro. Era preservacionista, simples nos hábitos, e carregamos essa visão”, afirmou.

O filho de João Pinto também negou que exista um acordo fechado com a Prefeitura, como chegou a circular na imprensa, após declarações do prefeito.

Segundo ele, houve apenas uma “comunicação formal” e participação em reuniões mediadas pelo Ministério Público e Tribunal de Justiça.

De acordo com Luiz, a família chegou a formular uma proposta de doação de parte da área, cerca 5,7 hectares destinados a aproximadamente 200 famílias.

Essa porção, afirma, está dentro da área invadida e localizada no ponto mais alto da propriedade, considerada a melhor parte logística do terreno.

“Queremos fazer parte da solução. Entendemos a urgência social e a dificuldade do prefeito, mas é preciso construir algo que seja justo, sem provocar uma injustiça ainda maior”, declarou.

DIVERGÊNCIA - No domingo (30), Abílio Brunini reuniu moradores e lideranças do Contorno Leste e anunciou que iria protocolar pedido de desapropriação na segunda-feira (1º).

Ele argumentou que, embora o caminho mais correto fosse devolver a área ao proprietário, a vulnerabilidade das famílias – muitas vivendo em extrema pobreza – o levou a optar pela regularização fundiária.

A decisão, segundo o prefeito, foi tomada após conversas com o Ministério Público, Judiciário e lideranças comunitárias.

Abílio afirmou ainda que os proprietários seriam indenizados e que a desapropriação permitiria iniciar a implantação de serviços públicos básicos, como iluminação, água e atendimento social.

Com a contestação da família Pinto, o processo ganha um novo capítulo e abre margem para disputa jurídica, já que a desapropriação pode avançar mesmo sem concordância do proprietário, desde que exista decisão judicial e pagamento de indenização.

“Não queremos travar a solução, mas precisamos de justiça”, diz família

Luiz Pinto reforçou que sua posição não é de confronto, mas de responsabilidade.

Ele afirmou que compreende o drama das famílias, mas destacou que a solução precisa ser construída com base legal e sem atropelos.

“Reconhecemos o sofrimento das pessoas que estão lá. Não queremos ser obstáculo, mas queremos que tudo seja feito de forma correta, justa e responsável”, disse.

VULNERABILIDADE - Enquanto o impasse fundiário cresce, moradores do Contorno Leste afirmam que vivem há anos na incerteza.

Relatos apresentados na reunião citam crianças com microcefalia, pessoas com deficiência, idosos desamparados e famílias que não têm condições de pagar aluguel.

Lideranças comunitárias reforçaram que a ocupação sempre buscou acolher famílias em situação de extrema pobreza.

A desapropriação anunciada por Abílio reacendeu esperanças, embora o debate sobre a área ainda esteja longe de um consenso.

O caso agora tende a seguir para nova rodada de articulações entre Prefeitura, Judiciário, Ministério Público e os proprietários, com a população à espera de uma solução definitiva.


Edição EDIÇÃO 16967




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