A sessão desta terça-feira (2), na Câmara de Cuiabá, foi marcada pela fala de Luiz Pinto, filho de João Pinto, proprietário da área onde está a ocupação do Contorno Leste.
Em posicionamento firme, ele contrariou o anúncio feito pelo prefeito Abílio Brunini (PL), no fim de semana, quando afirmou que o Município havia protocolado a intenção de desapropriar a área para regularizar a comunidade.
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Segundo Luiz Pinto, a família não tem interesse em vender o terreno, contrariando a narrativa de que um acordo já estaria encaminhado.
Ele destacou que seu pai, falecido, sempre rejeitou propostas financeiras - inclusive, anteriores à construção da avenida -, por entender a região como espaço de preservação, e não de exploração.
“A propriedade sempre recebeu propostas, muito antes da obra do Contorno Leste. Meu pai nunca buscou lucro. Era preservacionista, simples nos hábitos, e carregamos essa visão”, afirmou.
O filho de João Pinto também negou que exista um acordo fechado com a Prefeitura, como chegou a circular na imprensa, após declarações do prefeito.
Segundo ele, houve apenas uma “comunicação formal” e participação em reuniões mediadas pelo Ministério Público e Tribunal de Justiça.
De acordo com Luiz, a família chegou a formular uma proposta de doação de parte da área, cerca 5,7 hectares destinados a aproximadamente 200 famílias.
Essa porção, afirma, está dentro da área invadida e localizada no ponto mais alto da propriedade, considerada a melhor parte logística do terreno.
“Queremos fazer parte da solução. Entendemos a urgência social e a dificuldade do prefeito, mas é preciso construir algo que seja justo, sem provocar uma injustiça ainda maior”, declarou.
DIVERGÊNCIA - No domingo (30), Abílio Brunini reuniu moradores e lideranças do Contorno Leste e anunciou que iria protocolar pedido de desapropriação na segunda-feira (1º).
Ele argumentou que, embora o caminho mais correto fosse devolver a área ao proprietário, a vulnerabilidade das famílias – muitas vivendo em extrema pobreza – o levou a optar pela regularização fundiária.
A decisão, segundo o prefeito, foi tomada após conversas com o Ministério Público, Judiciário e lideranças comunitárias.
Abílio afirmou ainda que os proprietários seriam indenizados e que a desapropriação permitiria iniciar a implantação de serviços públicos básicos, como iluminação, água e atendimento social.
Com a contestação da família Pinto, o processo ganha um novo capítulo e abre margem para disputa jurídica, já que a desapropriação pode avançar mesmo sem concordância do proprietário, desde que exista decisão judicial e pagamento de indenização.
“Não queremos travar a solução, mas precisamos de justiça”, diz família
Luiz Pinto reforçou que sua posição não é de confronto, mas de responsabilidade.
Ele afirmou que compreende o drama das famílias, mas destacou que a solução precisa ser construída com base legal e sem atropelos.
“Reconhecemos o sofrimento das pessoas que estão lá. Não queremos ser obstáculo, mas queremos que tudo seja feito de forma correta, justa e responsável”, disse.
VULNERABILIDADE - Enquanto o impasse fundiário cresce, moradores do Contorno Leste afirmam que vivem há anos na incerteza.
Relatos apresentados na reunião citam crianças com microcefalia, pessoas com deficiência, idosos desamparados e famílias que não têm condições de pagar aluguel.
Lideranças comunitárias reforçaram que a ocupação sempre buscou acolher famílias em situação de extrema pobreza.
A desapropriação anunciada por Abílio reacendeu esperanças, embora o debate sobre a área ainda esteja longe de um consenso.
O caso agora tende a seguir para nova rodada de articulações entre Prefeitura, Judiciário, Ministério Público e os proprietários, com a população à espera de uma solução definitiva.




