CIDADES
Sábado, 03 de Março de 2012, 13h:56
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COPA DE 2014
Façam as suas apostas
É nesta categoria que se encaixa o prazo de 24 meses estabelecido pela Secopa para a obra do VLT
RODRIGO VARGAS
Da Reportagem
O cronograma de uma obra sem projeto básico de engenharia é, na melhor das hipóteses, uma estimativa sujeita a severas correções de rumo. Quase uma aposta. Para especialistas consultados pelo Diário, é nesta categoria que se encaixa o prazo de 24 meses estabelecido pela Secretaria Extraordinária da Copa de 2014 (Secopa) para a obra do VLT. Isso porque o novo modal, que poderá custar até R$ 1,2 bilhão, será licitado a partir de um anteprojeto de engenharia, segundo as regras do RDC (Regime Diferenciado de Contratação). Anteprojeto não tem função na engenharia. Nestas circunstâncias, qualquer avaliação sobre custo e prazo é mero chute, disse o engenheiro civil André Luiz Schuring, da Câmara de Engenharia Civil do CREA-MT. Segundo ele, as dimensões e o tipo incomum da obra tornam a avaliação ainda mais difícil. Se alguém disser que a construção de uma casa de Cohab vai custar R$ 1 milhão, é fácil cravar que está acima do preço. E o VLT? É caro ou barato? Ninguém sabe, diz. O arquiteto e urbanista José Antônio Lemos dos Santos avalia que o material apresentado até momento pela Secopa não pode nem ser considerado um anteprojeto. Pareceu-me mais uma ilustração das intenções do que o governo quer fazer, disse. Por conta disso, ele se declarou impossibilitado de discutir o prazo de implantação do VLT. A questão do tempo exíguo é relativa. Brasília foi feita em três anos. O Empire State, em Nova York, levou 451 dias. Mas estas obras estavam todas programadas e projetadas, disse. Em relação aos possíveis obstáculos no caminho, Lemos dos Santos citou a questão da falta de espaço para integrar os passageiros do sistema de ônibus na região da Prainha, sem a necessidade de desapropriações. Eu queria muito ver como é essa história de VLT sem desapropriação. A Bispo Dom José integrava 60 mil pessoas por dia, no pico máximo. Onde que se vai integrar ônibus e VLT ali, sem desapropriação? Eu não vejo jeito, declarou. Para José Roberto Bernasconi, presidente do Sindicato de Arquitetura e Engenharia do Estado de São Paulo (Sinaenco), um anteprojeto não define o que é a obra. Se quando seguimos o rito normal, com projetos básico e executivo, já fazemos obras ruins, com paralisações ou necessidade de aditivos, imagine com um anteprojeto?, questionou. Segundo ele, a possibilidade de licitar obras de grande porte sem projeto foi o resultado de falta de planejamento de todas as esferas do governo brasileiro. O Brasil teve tempo para se preparar, mas pouco fez. O resultado é que teremos um legado, mas muito menor do que poderia ter sido.