CIDADES
Quinta-feira, 22 de Junho de 2006, 19h:55
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Fã de Zico, japonês não se abala com derrota
KEITY ROMA
Especial para o Diário
Empate com dois gols de cada time ou a vitória da seleção japonesa. Bem longe de ser o desejo dos brasileiros, esses eram os possíveis resultados esperados pelo japonês Shohachi Konno para o jogo de ontem entre Brasil e Japão. Na casa da família Konno, trajando um quimono, Shohachi torceu sozinho. A esposa sansei, Nofuko Wakamija Konno, e a amiga Heloísa Kimica Michiura vibraram com a vitória do time de Parreira. O imigrante, que veio para o país em 1959, não teve sorte. Apesar da derrota, não se decepcionou com o time. O Japão e o Brasil são iguais. A única diferença é a experiência, disse o torcedor. Mesmo sem nunca ter jogado futebol, sem entender muito sobre o assunto e sem falar a língua portuguesa corretamente, a paixão que o japonês alimenta pelo atual técnico da seleção japonesa é evidente. Eu gosto muito do Zico, afirmou em japonês amiga Heloísa fez a tradução. Mais do que torcer pelo Japão, ele disse torcer pelo ex-jogador do Flamengo, que conheceu há quatro anos durante um treino no Japão. Ele mudou a imagem que os japoneses tinham de futebol. Ele é no futebol como a gente é na vida: aproveita as derrotas para buscar a vitória, conclui. Distante da euforia que toma conta do torcedor brasileiro durante os jogos, Shohachi torceu o tempo todo sem muita vibração. Com a serenidade característica dos japoneses, ele comemorou o primeiro e único gol do time com um sorriso e uma leve palma de orgulho. No mesmo momento, a esposa brasileira reclamou em japonês: não acredito, o Brasil não pode perder. Depois vieram os gols do Brasil. As mulheres vibraram, mas o homem da casa não se deixou abalar e manteve a mesma tranqüilidade dos primeiros 45 minutos. No terceiro gol brasileiro, Shohachi já não tinha mais esperanças de uma inversão no placar, mas disse que o resultado já era previsível devido à inexperiência japonesa no esporte. Segundo ele, para os brasileiros o hexa é mais importante que a vitória para os japoneses. No Brasil o futebol fortalece o coração das pessoas. Shohachi Konno, 73 anos, veio de Yamagata, no interior do Japão, para o Brasil com 25 anos contra a vontade da família, com um grupo de amigos. Aqui aprendeu a gostar de futebol e carnaval. Ele morou no Paraná, onde trabalhou como topógrafo e lavrador. Alguns anos depois veio para Mato Grosso, trabalhar em terras próximas ao município de Feliz Natal. Lá conheceu a esposa, com quem é casada há 42 anos. Em seguida veio para Cuiabá. Um palpite para o resultado da Copa? Brasil campeão mais uma vez, afirmou o japonês, que a partir de agora torcerá pela seleção de Parreira. Apesar das boas perspectivas para o time brasileiro, Shohachi acha que a seleção precisa treinar mais, pois ainda terá muitos desafios pela frente.