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CIDADES
Segunda-feira, 01 de Dezembro de 2008, 21h:50

MAIS VIDA

Expectativa aumenta

Tábua da Vida, estudo do IBGE, revela que mato-grossense, assim como o brasileiro, vive mais e melhor a cada ano

RENÊ DIÓZ
Especial para o Diário
Do saudoso time do Comércio Esporte Clube, de 1938, só sobrou “seo” Pedroso. Aos 90 anos de idade, ele é o único ainda vivo entre os retratados da fotografia, pendurada na parede de sua alfaiataria, em Cuiabá. Este poconeano, firme e lúcido, representa um significativo avanço detectado na sociedade brasileira e mato-grossense. Vive-se mais, afirmam dados divulgados ontem pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), com o estudo anual “Tábua Completa de Vida”. Quando nascido em 1991, esperava-se que o mato-grossense viveria até por volta dos seus 67 anos de idade. Já em 2007, este brasileiro guarda expectativas de viver até mais ou menos 73 anos. Mato Grosso e Brasil seguem a mesma tendência. Para os dois, o crescimento da expectativa de vida é semelhante. A população vive em média 5 anos e meio a mais que há 16 anos, com destaque para as mulheres, cuja expectativa de vida é de 76,85, contra 69,56 dos homens no Estado. Mais antigo alfaiate de Cuiabá, Antônio Armindo Pedroso Dias brinca. “Ainda tô inteiro”, anuncia. Ele confessa já ter sido fumante (começou aos 20 anos e parou há 30) e afirma que o desenvolvimento da cidade foi essencial para que pudesse viver tanto e tão bem, apesar de tantos amigos e colegas terem já partido. Pedroso recorda que, antigamente, alguns morriam por doenças banais, como uma simples apendicite. A medicina, cita o alfaiate, evoluiu junto a seus medicamentos. Assim, a qualidade de vida também. Ele, que diz ter sempre estado economicamente situado na classe média, também admite que a rotina pessoal ajudou. Todo fim-de-semana, recorda, praticava algum exercício por pura diversão, como o futebol, fora o trabalho que nunca abandonou desde os 12 anos de idade. Ser alfaiate, diz Pedroso, também exercita. O secretário-adjunto estadual de Saúde, Victor Rodrigues, frisa que o cenário em Mato Grosso mudou. O aumento da expectativa de vida revela que o panorama das mortes por doenças se transformou, o que denota desenvolvimento. Trata-se de um panorama de país de primeiro mundo, segundo o secretário. Nestes países, ele explica, doenças frequentemente associadas a complicações na saúde dos idosos possuem incidência expressiva. Hoje, no Estado (seguindo a tendência nacional) morre-se mais por câncer ou doenças cardiorrespiratórias que por infecciosas (como malária e febre amarela). Almir de Matos, aposentado de 75 anos, pensa de modo parecido com “seo” Pedroso. Pacato, enquanto joga damas com os amigos perto do Colégio Liceu Cuiabano, ele explica que o desenvolvimento do Estado permite, hoje, que se tenha maior qualidade de vida. E, por conseqüência, tempo. “A vida hoje tá bem melhor, todo mundo tem um dinheirinho”, resume. DADOS – Os mesmos dados do IBGE apresentam queda de 46% na mortalidade infantil em todo o país, entre 1991 e 2007. O Instituto aponta ainda que, não fossem as mortes por causas externas (como a violência entre a população masculina jovem), a expectativa de vida do brasileiro poderia ser 2 ou 3 anos maior.

Edição EDIÇÃO 16967




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