CIDADES
Sábado, 01 de Dezembro de 2007, 11h:07
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MANSO
Estudo com soluções longe da realidade
Solicitada por empresa que responde pela hidrelétrica, pesquisa aponta atendimento ideal às comunidades atingidas, que não tiveram, porém, sequer acordo cumprido
ALECY ALVES
Da Reportagem
Encomendado por Furnas Hidrelétricas, responsável pela Usina de Manso, um estudo social indicou o plano supostamente ideal de atendimento, serviços e organização das comunidades atingidas pelo lago da hidrelétrica. A usina fica a cerca de 100 quilômetros de Cuiabá, em Chapada dos Guimarães. Concluído mês passado, o diagnóstico, dirigido pelo Instituto Brasileiro de Análises Sociais e Econômicas (Ibase), deverá ser apresentado durante a VI Expo Brasil de Desenvolvimento Local - um encontro internacional que acontece esta semana na cidade de Natal, Rio Grande do Norte - como modelo para implantação de futuros empreendimentos hidrelétricos no país. Entretanto, o plano que surge como uma forma capaz de reparar impactos negativos em futuras construções de usinas está muito longe da realidade vivida pelas mais de 800 famílias prejudicadas pela obra mato-grossense. Na prática, a situação é de abandono, segundo Sandro Leonardy Sampaio, membro da coordenação do Movimento dos Atingidos por Barragem (MAB). Sampaio disse que considera o plano viável para as famílias que querem permanecer na região, mas antes de propô-lo para outras comunidades, Furnas tem que cumprir compromissos estabelecidos que continuam sendo adiados. Cumprir o acordo firmado em novembro de 2006, que previu, entre outras responsabilidades, a aquisição de 20 mil hectares de terras para a transferência das famílias, o tratamento especial e prioritário aos idosos com mais de 65 anos com ajuda de custo e oferta de moradias, ou melhorias das casas onde essas pessoas vivem. Apesar de aparecer no documento classificado como tratamento especial, nenhum idoso foi atendido desde a assinatura do acordo, segundo o líder do MAB. Desde novembro de 2006, pelo menos cinco idosos morreram, entre eles o avô de Sandro Sampaio, Manoel Francisco Sampaio, antigo morador da comunidade Roncadorzinho, que fica na área de Quilombo. Quanto à compra das terras, Sampaio observou que já deveria ter ocorrido, mas até agora somente cinco mil hectares, ou seja, um quarto da área prevista, foram adquiridas por Furnas. O MAB, informou ele, está tentando uma audiência com o ministro das Minas e Energia, Nelson Hubner, para reclamar do não-cumprimento do acordo. Eles também estão articulando alguns movimentos regionais para os próximos dias. Na avaliação de Sampaio, o estudo é interessante, pode contribuir para a melhoria de vida das populações atingidas, mas é uma pequena parte daquilo que as famílias esperam alcançar. Os projetos previstos nele são de caráter geral, como identificar as necessidades, se os poderes públicos estão atuando nas comunidades e viabilizar projetos, citou. A Usina de Manso abrange os municípios de Chapada dos Guimarães e Nova Brasilândia. O lago atingiu famílias nas localidades Mamede Roder, João Carro, Quilombo, Bom Jardim, Campestre, Água Branca e Água Fria, todas localizadas em Chapada dos Guimarães. O MAB foi criado em 1999, a partir do início da formação do lago de Manso. A usina começou a funcionar em 2000 e atingiu sua capacidade máxima de produção de energia, 210 megawatts, no final de 2001. Na tarde de sexta-feira, a reportagem buscou junto a Furnas, por telefone e e-mail, uma resposta às queixas do MAB pelo descumprimento do acordo firmado em 2006 prevendo ações imediatas, mas não obteve resposta.