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CIDADES
Quinta-feira, 25 de Novembro de 2010, 20h:16

TRANSPORTE

Estudantes param trânsito por passe-livre

Cerca de 500 manifestantes fizeram passeata nas ruas centrais da Capital e tentaram invadir prefeitura por manutenção da gratuidade e contra R$ 2,50

JOANICE DE DEUS
Da Reportagem
Embaixo de chuva, aproximadamente 500 estudantes saíram às ruas e avenidas centrais de Cuiabá para protestar contra o aumento da tarifa do transporte coletivo e a favor do passe-livre. O trânsito ficou parado em avenidas como Tenente Coronel Duarte (Prainha) e Getúlio Vargas. Os manifestantes se concentraram por volta das 9 horas na praça Bispo Dom José. O protesto reuniu alunos de escolas como Liceu Cuiabano, Alcebíades Calhao, Padre Ernesto, Médici, da Universidade Federal de Mato Grosso (UFMT) e de movimentos como Alternativa Sindical Social. Munidos de cartazes, eles gritavam palavras de ordem como “É ou não é piada de salão pagar R$ 2,50 para andar de sucatão”. Da Bispo, caminharam até a sede da prefeitura, onde se concentraram na praça Alencastro. Sem reforço na segurança, os estudantes tentaram forçar a entrada na sede do Executivo, mas não conseguiram. Somente depois a Polícia Militar foi chamada e encaminhou cerca de 40 militares para garantir a ordem. Enquanto isso, uma comissão formada por 10 estudantes era recebida pelo prefeito Francisco Galindo. No encontro, o diretor de Movimentos Sociais da UNE, Lehu Wanio de Araújo, observou que o aumento da tarifa do transporte de R$ 2,30 para R$ 2,50 onera financeiramente a classe trabalhadora assim como a majoração do IPTU, e citou que o atual valor da tarifa é igual ao de São Paulo, onde os coletivos fazem percursos muito mais longos que os realizados pelas empresas na capital mato-grossense. Já Eduardo Matos, do movimento Juventude Trabalhadora Intersindical, lembrou que, em 2005, uma CPI realizada pela Câmara Municipal apontou que os empresários tinham na época uma dívida de cerca de R$ 110 milhões com a prefeitura e que a tarifa que era de R$ 1,60 deveria ser R$ 0,81. Além disso, um estudo da UFMT apontou que mais 200 mil pessoas não utilizavam o transporte coletivo por não ter condições de pagar o preço da passagem. Ao informar à Comissão que atualmente a administração municipal aplica R$ 15 milhões ao ano com o pagamento do passe-livre para cerca de 50 mil estudantes das escolas municipais, estaduais e federais, Galindo observou que os estudantes nunca o ouviram dizer que iria acabar com o passe-livre. “Nunca disse que vou tirar o benefício. Mas, enquanto prefeito, vou brigar pelos interesses da população cuiabana”, disse, afirmando considerar injusto que a administração municipal arque sozinha com o pagamento da passagem de alunos das redes estadual e federal e, que Estado e União precisam assumir esse compromisso. O encanador Gonçalo Santana Aguiar se posicionou a favor do passe-livre. Morador do bairro Dom Aquino, ele conta que tem dois filhos matriculados em uma escola municipal, que fica no próprio bairro onde moram. “O colégio fica longe de casa e eles precisam pegar ônibus. Pra gente que ganha pouco se tivesse que pagar, seria difícil”, disse o encanador que esperava o coletivo em um ponto localizado na praça Alencastro. “O preço é alto. Eu pego ônibus duas vezes por dia e esse dinheiro falta no fim do mês”, acrescentou. Para Eduardo Matos, a posição do prefeito foi uma tentativa de fazer os estudantes recuarem. “O movimento para que não haja restrição ao passe-livre continua”.

Edição EDIÇÃO 16966




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