CIDADES
Sábado, 04 de Setembro de 2010, 12h:41
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DENGUE MATA
Estado pode ter mais febre hemorrágica
Prognóstico anunciado pelo Ministério da Saúde, de MT com risco de viver epidemia, trará casos da forma mais grave da doença em número ainda maior
JOANICE DE DEUS
Da Reportagem
O prognóstico que se confirmou na última semana, quando o Ministério da Saúde (MS) anunciou que Mato Grosso está entre as nove unidades da Federação com alto risco de ocorrência da doença, chama a atenção para a possibilidade do aumento da incidência da febre hemorrágica (FHD), a forma mais grave da doença e que pode levar a morte. A tendência é clara. Não se fazendo a prevenção neste período de seca em que a doença aparece de forma endêmica, na hora que começar a chover, a epidemia vem pra valer, alerta o professor de Infectologia, o médico Ivens Cuiabano Scaff. Há o risco de aumentar os casos clássicos e os mais graves também, reforça. Scaff explica que há dois fatores preponderantes para a pessoa contrair a febre hemorrágica (FHD). Uma delas é a virulência da cepa infectante, de modo que as formas mais graves sejam resultantes de cepas extremamente virulentas. Outro determinante está relacionado às infecções sequenciais por diferentes sorotipos do vírus, ou seja, à resposta imunológica de cada indivíduo. Se a pessoa em determinado tempo adquiriu um sorotipo e, em outro período, contrair outra cepa, pode ser um fator preponderante para a dengue hemorrágica, informa. Essa perspectiva assustadora é avalizada pela coordenadora de Vigilância Epidemiológica da Secretaria de Estado de Saúde (SES), Siriana Maria da Silva. Quanto maior o número de pessoas atingidas por uma doença, seja ela qual for, maior é a chance de casos graves e de óbitos, abona. Dados oficiais da SES mostram que neste ano, entre janeiro a 2 de setembro, Mato Grosso já registrou 41.130 casos de dengue, com 61 mortes, das quais 50 confirmadas. No ano passado, foram 37.671 ocorrências no mesmo período. O mapa de risco divulgado pelo MS não considerou uma eventual dispersão do vírus DEN-4 no país. O sorotipo foi identificado em Roraima no mês de agosto, após 28 anos sem circulação no Brasil. Dentro deste contexto, Ivens Scaff observa que em caso de introdução de um novo tipo sorológico, toda população mato-grossense estaria sujeita a ser infectada de novo pela doença. A população não tem imunidade contra o vírus 4, portanto todas as faixas etárias seriam afetadas, frisa. Segundo Siriana da Silva, o levantamento viral por amostragem realizado mês passado nas 16 regionais do Estado detectou a circulação apenas do dengue tipo 1 e 2. Nas amostragens o tipo três não foi detectado, mas não significa que ele não esteja circulando, observa. OUTROS DADOS As notificações em Cuiabá já somam 4.525 casos de dengue. Deste total, 111 são do tipo grave. Ocorreram ainda 11 óbitos, sendo quatro confirmados e sete em investigação. A cidade vizinha, Várzea Grande, tem 1.565 ocorrências da doença, sendo 167 graves e quatro óbitos confirmados.