CIDADES
Sábado, 09 de Junho de 2012, 14h:12
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DISPUTA
Engenheiro luta por herança bilionária
Morador de Leverger briga para ter direito a uma fatia do Grupo Melhoramentos, conglomerado cujos ativos somam mais de R$ 1,5 bilhão
RODRIGO VARGAS
Da Reportagem
Ele nasceu na Alemanha, mas, quando questionado, diz que é brasileiro. Em vez do nome de registro, complicado para os padrões locais, prefere ser chamado simplesmente de Paulo. Sem dinheiro para pagar despesas básicas como a conta de luz, briga com seus irmãos na Justiça para reaver o que considera ser sua parte em um conglomerado cujos ativos somam mais de R$ 1,5 bilhão. Uwe Paul Otto Plöger, 65, é engenheiro agrônomo e mora em uma casa simples em Santo Antônio do Leverger. Atualmente desempregado, depende da aposentadoria de sua mulher para se manter. Desde 2009, quando morreu a minha mãe, minha vida se resume a buscar Justiça e reaver o que me tomaram. Posso perder tudo, mas não vou desistir, diz. Plöger é neto do industrial Alfried Weisflog, que morreu em 1942, vinte anos após assumir o controle da Companhia Melhoramentos de São Paulo, fundada em 1892. Sua mãe, Adolfa, era uma herdeira direta do conglomerado, que atua nas áreas de editoração de livros, reflorestamento e fibras de celulose. Paul Otto, seu pai, ocupou cargos de destaque na companhia. Quando morreu, em 1992, havia sido diretor-administrativo e diretor industrial. Seus irmãos, Ingo e Alfried, também exerceram funções importantes e hoje mantêm, na condição de acionistas com direito a voto, cadeiras no conselho de administração. Plöger nunca quis seguir carreira no grupo. Formado em agronomia na Alemanha, veio para Mato Grosso na década de 1970 para tentar a sorte como agricultor e pecuarista. Ajudei a abrir o Estado. Era o que gostava de fazer, relembra. Sua participação na administração do patrimônio da família, segundo ele, sempre se deu por meio de procurações que forneceu ao pai e aos irmãos. Fiz por confiança, jamais imaginaria que usariam isso contra mim. Até a morte de sua mãe, ele conta que sua relação com os irmãos e o restante da família era normal, sem conflito algum. Eu passava as festas de final do ano com eles. Veio então o inventário de minha mãe e a surpresa: não tinha direito a nada. Em ações que propôs na Justiça, Paulo acusa os irmãos de apropriação indevida da fatia que lhe pertence na companhia. Ingo e Alfried (veja matéria) dizem que a partilha dos bens de seus pais foi feita em vida e que Plöger recebeu a sua parcela. Afirmam, ainda, que o irmão vendeu a eles sua participação na companhia no início da década de 1990. Essa suposta venda foi feita por meu pai, utilizando uma procuração assinada por mim vinte anos antes. Eu nem fiquei sabendo do negócio. Como herdeiro, Plöger diz que recebeu US$ 1,5 milhão em 1995, em razão da venda de uma casa da família em São Paulo. E foi apenas isso. Dizer que esse montante equivale a uma participação na Melhoramentos é uma piada, rebate. As incursões judiciais contra os irmãos, até o momento, foram todas infrutíferas, mas o agrônomo confia que novos documentos, ainda não juntados ao processo, irão mudar sua sorte. Eu vou provar que fui vítima de uma fraude.