CIDADES
Terça-feira, 12 de Novembro de 2013, 21h:01
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OPERAÇÃO
Empréstimos ilegais
PF põe fim a um esquema de concessão de empréstimos por parte de empresa que não possui autorização; conduta consiste em agiotagem
ALECY ALVES
Da Reportagem
Agentes da Polícia Federal apreenderam R$ 325 mil em dinheiro em duas residências em Cuiabá e Várzea Grande durante a Operação Ararath, de combate à lavagem de dinheiro e agiotagem, deflagrada na manhã de ontem nessas duas cidades e em Nova Mutum (267 km ao Norte de Cuiabá). No cofre de uma moradia, em Várzea Grande, foram encontrados R$ 275 mil. A outra parte estava em Cuiabá, ambos com suspeitos de integrar um esquema milionário de lavagem de dinheiro usando factorings de fachada. O dinheiro estava separado em pacotes de notas novas de R$ 100 e R$ 50. Também havia uma parte em cheques de diversos valores e instituições financeiras. Mais de 30 policiais e vários delegados foram mobilizados nessas cidades para cumprir onze mandados de busca e apreensão expedidos pela Justiça Federal em Mato Grosso. Até o final da tarde de ontem nem todos haviam sido cumpridos. Também não havia prisão decretada contra acusados pelo esquema. A principal base operacional da organização seria a empresa Globo Fomento, que oficialmente encerrou suas atividades em 2012. Também usariam uma rede de postos de combustíveis para legalizar o dinheiro. A Rede Amazônia Petróleo pertence a Gércio Marcelino Mendonça Júnior, ou Junior Mendonça. No final de março de 2008, Junior Mendonça chegou a ser preso pelo Grupo de Atuação Especial Contra o Crime Organizado (Gaeco), juntamente com dirigentes do ramo de combustível de Cuiabá, por formação de cartel. Pela estimativa da PF, a organização movimentou cerca de R$ 500 milhões em seis meses de operações ilegais, como concessão de empréstimos para diversas pessoas físicas e jurídicas no Estado. Os envolvidos não pagaram impostos dos empréstimos, registrando como se fossem descontos e cobrança de cheques. A factoring - que pela legislação tem natureza estritamente mercantil, com a finalidade principal de assessoria e de compra de títulos de crédito, a fim de fomentar o comércio - não poderia conceder empréstimos. Os negócios do grupo começaram a ser investigados em 2011, a partir de quando os agentes começaram a levantar suspeitas sobre os empréstimos feitos para pessoas físicas e jurídicas do Estado, por meio da Global Fomento, empresa que, até fechar, no ano passado, tinha sede em Várzea Grande. As empresas, entretanto, não tinham autorização do Banco Central para a concessão de empréstimos, bem como para exigir garantiras e exercer qualquer atividade de instituição financeira. De acordo com a PF, os suspeitos, apontados como agiotas, devem ser indiciados e poderão responder pelos crimes contra o sistema financeiro nacional e de lavagem de dinheiro, assim como ocultação de bens, direitos e valores. Ararath é o nome do monte na Turquia onde, supostamente, foi encontrada a Arca de Noé.