CIDADES
Quinta-feira, 28 de Janeiro de 2010, 02h:33
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DENGUE MATA
Doença avança 86% em MT
De 2.814, na semana passada, casos agora são 5.243
no Estado, sinal de que campanhas não surtem efeito
JOANICE DE DEUS E MARICELLE LIMA
Da Reportagem
Os casos de dengue sobem assustadoramente em Mato Grosso. Dados parciais da Secretaria de Estado de Saúde (SES) mostram que o número de notificação da doença subiu, em apenas uma semana, 86%: de 2.814 casos para 5.243 (praticamente o dobro) no Estado. Já os casos graves registrados saltaram de 86 para 166, com a confirmação de três óbitos, além de outros seis sob investigação. Outra vítima fatal da doença pode ser uma menina que morreu ontem na Santa Casa de Misericórdia, em Cuiabá. O município investiga se a causa foi dengue hemorrágica. Se confirmado o caso pela Vigilância Sanitária do município, este pode ser o primeiro caso de morte por dengue este ano, na Capital. A tendência de aumento de casos se dá, sobretudo, por meio da falta de cuidados para se evitar a formação de criadouros do mosquito Aedes aegypti, vetor da doença. E os cuidados são deixados em segundo plano também pelo poder público, que as vezes esquece o dever de casa. Exemplo disso é a constatação de água parada suscetíveis ao abrigo das larvas em locais como o chafariz da praça Alencastro, em frente à sede da prefeitura, e da e Eurico Gaspar Dutra, a famosa Praça Popular. A reportagem flagrou os reservatórios repletos de água parada e sem tratamento. Outro ponto em prédio público é a piscina existente na área onde fica a Agência de Fomento do Estado, a MT Fomento, nos fundos da prefeitura de Cuiabá, na rua Barão de Melgaço. A água esverdeada, parada e com o fundo do reservatório cheio de lodo formam ingredientes para a procriação do mosquito da dengue. Funcionários do sexto andar da prefeitura frisam que todos os dias acompanham a evolução da água. Durante a semana a cor da água da piscina está cada vez mais escura. A limpeza acontece esporadicamente, disse um servidor. Quem também acompanha revoltada a situação da falta de manutenção nos logradouros públicos é a auxiliar de escritório Alessandra Marinho. Ela contou que não aguenta mais ver água parada nesses espaços, onde a situação ainda piora com as constantes chuvas. Devido à situação de calamidade, esses espaços nesta época do ano deveriam ser tampados com areia. Depois que passasse o período da chuva, tirava a areia, sugeriu. A reportagem ligou para o Centro de Controle de Zoonoses (CCZ), setor responsável por orientar o trabalho dos agentes da dengue na Capital, por volta das 17h30, mas foi informada de que não havia mais ninguém no órgão, que fecha às 17 horas. O governo do Estado divulgou ontem que, nos próximos dias 2 e 3, será feito um sobrevoo de helicóptero com agentes de saúde em Cuiabá e Várzea Grande para que sejam detectados locais com potencial para a proliferação do mosquito da dengue. A idéia é mapear áreas de risco nas duas cidades e a ação pode ser estendida a demais áreas de Mato Grosso onde há maior incidência de casos de dengue. Números - Na capital, até o momento, foram notificados 710 casos de dengue. Desses, 43 são considerados graves. Em Várzea Grande, já são 442 casos da doença. Deste total, 31 do tipo grave. Na cidade vizinha, ocorreram ainda dois óbitos, sendo um confirmado e outro sob investigação. As demais mortes registradas foram em Colniza (01), Diamantino (01), Poconé (01), Rondonópolis (02) e Sinop (02). O Estado apresenta até agora um incremento de 362,35% de notificações de dengue, se comparado ao mesmo período de 2009, quando ocorreram 1.134 casos.