O Itamaraty não considera que o linchamento de dois varzea-grandenses em San Matías vá trazer alguma repercussão na relação diplomática entre Brasil e Bolívia. Uma fonte do Ministério das Relações Exteriores afirmou que se trata de um caso de polícia, não de diplomacia. Não existe previsão legal para que o governo brasileiro banque o traslado de corpos de nacionais mortos em território estrangeiro. Portanto, as famílias de Rafael Max Dias e Jefferson Castro Lima deverão arcar com a transferência. Segundo a assessoria de imprensa do Itamaraty, cabe às embaixadas e consulados no exterior auxiliar em questões burocráticas e fazer o levantamento de preços a respeito de translado ou mesmo sepultamento em território estrangeiro. No caso dos dois varzea-grandenses, o Consulado do Brasil em Santa Cruz de La Sierra e a Embaixada de La Paz já foram acionados, inicialmente à procura de informações e garantindo apoio a familiares. Três representantes da Polícia Federal (PF) foram enviados ao local do crime. A Embaixada já designou o adido da Polícia Federal para acompanhar as investigações e manter o governo brasileiro informado sobre o crime. No caso da Bolívia, o adido titular, delegado Júlio Bortalatto, morreu no ano passado e, desde então, foi substituído pelo adjunto, o agente Lucilo Jorge Filho. Nomeados pelo ministro da Justiça, os adidos da PF são o responsáveis por fazer o intercâmbio do governo brasileiro com as polícias dos países onde estão baseados.